Tomar decisões não é fácil. Principalmente quando ela impacta em mais gente.
Por mais experiente, mais equilibrado, mais sensato que seja, sempre teremos um momento, O momento crucial de decidir para que lado ir e esse é dose.
Escolher jamais foi para o ser humano algo agradável, mesmo que as escolhas nos tragam bons frutos e tenhamos certeza. Escolher significa abandonar algo para ficar com outro algo.
E nossa natureza egoísta e, porque não dizer, neurótica sofre com isso.
Estar diante de uma passagem de ciclo que exija uma decisão realmente impactante, o que de recurso temos para escolher? Teremos a repetição de como fazemos isso em escalas menores. A mente "salva" os comportamentos mais repetidos e os toma como padrão. Daí vem todo o enredo daquele filme "Click".
Existe um livro, que confesso não lembrar o nome (fico devendo), que diz que na hora de decidir, de dizer sim ou não, de declarar, a decisão é de segundos. Poucos segundos. Concordo até a página 2 com isso, pois para a declaração sair em segundos o processo foi longo. Certamente foi.
E depois que decidimos, hein? Escolhemos pelo caminho Y e pronto. Decisão tomada. Aí entramos numa nova fase do processo decisório que diz respeito às consequências.
O "abandonado" sempre se sentirá injustiçado seja ele um objeto real (uma pessoa de nossa convivência, por exemplo) ou existente apenas dentro de nossa mente (o que também não deixa de ser real...). Temos que lidar com ele.
Nessas horas, penso eu, nos é exigido silêncio e tranquilidade, pois quem escolhe com base em princípios, valores que sejam reais, que sejam os comandantes reais da vida, se sai melhor.
As "chicotadas" virão, isso é certo. Aguenta o tranco quem estiver muito certo de quem se é.
“As ideias tem ideias próprias... Forçadas a marchar numa direção única, elas se rebelam.” Rubem Alves
segunda-feira, janeiro 24, 2011
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Quem quer ser um milionário?
Minha amada amiga e companheira de caminhada me pediu, há um tempo, para que eu escrevesse sobre riqueza e pobreza.
Disse-me ela: “Quero entender por que tanta diferença entre os semelhantes...”
Demorei em escrever, pois os textos que me atrevo a postar neste blog veem, sempre, das minhas experiências pessoais e sobre este tema não havia nada recente suficientemente forte para gerar um texto.
Aí, O Universo incessante me deu algumas experiências com as quais me habilito a escrever sobre o tema.
O título dessa postagem é, sim, sobre o filme de mesmo nome. Assisti, por co-incidência, com essa amiga junto.
Resumindo, o filme conta a história de um rapaz que vai parar num talk show que possui como prêmio 20 milhões de rúbias (análogo a este, tínhamos o Show do Milhão no Brasil). É narrado de maneira sensacional, pois a cada pergunta que o protagonista sabe, surpreendentemente, responder veio da experiência dura e, muitas vezes, cruel vivida na Índia. Esse rapaz tem um irmão que cedo entendeu que o dinheiro dá poder... Enquanto o irmão queria dinheiro para sair da ‘lama’ que era sua vida, o protagonista queria um amor e, para tê-lo, precisava de dinheiro, pois a Índia era a mesma que a vivida pelo seu irmão. Isso, então, os diferenciava?
Esse é um primeiro fato. O segundo é uma cena que comentei brevemente no Facebook sobre um jovem senhor de rua, com visíveis problemas físicos e que, como tantos, me pediu alguma coisa para ajuda-lo. Nunca dou em faróis por acreditar que existem outras maneiras ‘melhores’ de fazê-lo, mas ‘alguma coisa’ me fez pegar a bolsa e sacar 2,00 dela e dar ao jovem senhor. E aí veio a doce surpresa. Ele me respondeu: “Paz e prosperidade para vocês. E ÂNIMO, pois desânimo não faz parte da vida.” Ao lado dele estava a mulher e seu filho, também com visíveis dificuldades... só que as do filho eram mentais...
Além disso, temos todos os casos dolorosos das chuvas de verão, principalmente no Rio de Janeiro... A luta, o não desistir e ver como podemos ser bons e solidários...
Diante disso, eu penso que ricos são aqueles que extraem das oportunidades oferecidas pela vida uma qualidade de experiência superior à maioria.
A esperança, a dignidade, os fortes valores familiares, a vontade e necessidade de sobreviver, a certeza inabalável de que ‘vai dar certo’ no olhar dessas pessoas que citei é o que todos temos que aprender com eles. Essa é a riqueza.
Penso que não é a educação, o ‘berço’, o sobrenome, o tipo de trabalho, o carro, os bens que se faz o caráter, a pobreza ou a riqueza de um homem: é sua vontade.
É pelo que ele faz o que ele faz. É pelo que está, incansavelmente, em busca. É por fazer questão de ser descente, mesmo quando as circunstâncias ‘permitiriam’ não o ser.
Que cada um de nós reflita sobre o que e, principalmente, para que estamos lotados de coisa, sempre sem tempo, sem conseguir realizar todas as tarefas e, possivelmente, sem entender e buscar novas alternativas.
Essas pessoas diferentes, verdadeiramente ricas, priorizam o que parece estar na moda: família, amizade, amor, fé. Essas pessoas VIVEM isso e não apenas ficam no blá blá blá.
Pobre é aquele que não aprende, que desiste dos sonhos, que desanima, que insiste em caminhos e atitudes errados, que se ilude com posição e bens, que só olha para si e seus problemas.
Rico é o que sorri sempre, que agradece por tudo, que é descente e crente. É aquele que entende e vive a grandeza e pequeneza de ser apenas um entre 6,4 bilhões de uma das muitas espécies classificadas num dos universos possíveis...
Disse-me ela: “Quero entender por que tanta diferença entre os semelhantes...”
Demorei em escrever, pois os textos que me atrevo a postar neste blog veem, sempre, das minhas experiências pessoais e sobre este tema não havia nada recente suficientemente forte para gerar um texto.
Aí, O Universo incessante me deu algumas experiências com as quais me habilito a escrever sobre o tema.
O título dessa postagem é, sim, sobre o filme de mesmo nome. Assisti, por co-incidência, com essa amiga junto.
Resumindo, o filme conta a história de um rapaz que vai parar num talk show que possui como prêmio 20 milhões de rúbias (análogo a este, tínhamos o Show do Milhão no Brasil). É narrado de maneira sensacional, pois a cada pergunta que o protagonista sabe, surpreendentemente, responder veio da experiência dura e, muitas vezes, cruel vivida na Índia. Esse rapaz tem um irmão que cedo entendeu que o dinheiro dá poder... Enquanto o irmão queria dinheiro para sair da ‘lama’ que era sua vida, o protagonista queria um amor e, para tê-lo, precisava de dinheiro, pois a Índia era a mesma que a vivida pelo seu irmão. Isso, então, os diferenciava?
Esse é um primeiro fato. O segundo é uma cena que comentei brevemente no Facebook sobre um jovem senhor de rua, com visíveis problemas físicos e que, como tantos, me pediu alguma coisa para ajuda-lo. Nunca dou em faróis por acreditar que existem outras maneiras ‘melhores’ de fazê-lo, mas ‘alguma coisa’ me fez pegar a bolsa e sacar 2,00 dela e dar ao jovem senhor. E aí veio a doce surpresa. Ele me respondeu: “Paz e prosperidade para vocês. E ÂNIMO, pois desânimo não faz parte da vida.” Ao lado dele estava a mulher e seu filho, também com visíveis dificuldades... só que as do filho eram mentais...
Além disso, temos todos os casos dolorosos das chuvas de verão, principalmente no Rio de Janeiro... A luta, o não desistir e ver como podemos ser bons e solidários...
Diante disso, eu penso que ricos são aqueles que extraem das oportunidades oferecidas pela vida uma qualidade de experiência superior à maioria.
A esperança, a dignidade, os fortes valores familiares, a vontade e necessidade de sobreviver, a certeza inabalável de que ‘vai dar certo’ no olhar dessas pessoas que citei é o que todos temos que aprender com eles. Essa é a riqueza.
Penso que não é a educação, o ‘berço’, o sobrenome, o tipo de trabalho, o carro, os bens que se faz o caráter, a pobreza ou a riqueza de um homem: é sua vontade.
É pelo que ele faz o que ele faz. É pelo que está, incansavelmente, em busca. É por fazer questão de ser descente, mesmo quando as circunstâncias ‘permitiriam’ não o ser.
Que cada um de nós reflita sobre o que e, principalmente, para que estamos lotados de coisa, sempre sem tempo, sem conseguir realizar todas as tarefas e, possivelmente, sem entender e buscar novas alternativas.
Essas pessoas diferentes, verdadeiramente ricas, priorizam o que parece estar na moda: família, amizade, amor, fé. Essas pessoas VIVEM isso e não apenas ficam no blá blá blá.
Pobre é aquele que não aprende, que desiste dos sonhos, que desanima, que insiste em caminhos e atitudes errados, que se ilude com posição e bens, que só olha para si e seus problemas.
Rico é o que sorri sempre, que agradece por tudo, que é descente e crente. É aquele que entende e vive a grandeza e pequeneza de ser apenas um entre 6,4 bilhões de uma das muitas espécies classificadas num dos universos possíveis...
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Pensamentos sobre 'Missão'
Falamos, eu e muitos amigos meus no ano passado, sobre o sentido de missão de vida, daquilo que dá direção e foco na nossa trajetória.
E sobre isso já ouvi de tudo: minha missão é ser mãe, minha missão é espalhar amor pelo mundo, minha missão é ajudar as pessoas, minha missão é...
Via de regra, o 'título' da missão aparece voltada 'para fora', para o outro, para o mundo. E normalmente é algo que traz nobreza por ser todas elas repletas de boa intenção e brilho. De fato, todas são assim mesmo, mas não só.
Me lembro do balde de realidade que sempre existiu nos temas de psicanálise que vivi, fossem em sessões de análise, de supervisão de casos clínicos, de grupos de estudos etc.
À psicanálise, essa 'missão' tem a ver com um desejo, O Desejo, que tantas vezes traz mais dores e renúncias do que alegrias. E ele nunca vem desacompanhado de prazer. O prazer mais egoísta, eu digo.
Para que não julguemos apenas a psicanálise com esse olhar menos romântico à questão, cito também um texto do padre Fábio de Melo, em que narra a história de uma freira e diz: "Caridade prá mim é fazer sexo em praça pública." É... bem pouco romântico e nobre, não é?
Em estado de romantismo ou em estado de realidade, a missão da gente que vamos descobrindo ao longo da vida tem um ponto em comum: a seriedade.
Explico. Acabei de ler a seguinte frase do psicanalista Contardo Calligaris: "...no papo cordial dominante, quem leva sua tarefa a sério é considerado muito 'brabo'."
Levar a sério a missão descoberta ou em processo de é não permitir que nada e nem ninguém tire a 'gravidade' disso em nós.
Ser mãe, para mim, pode representar uma boa etapa da vida como mulher, mas é só uma etapa importante. Quem sou eu para dizer àquela que faz disso seu Desejo que não é nada mais que isso, nada além de uma etapa importante? E mais: quem sou eu para tratar isso na vida dessa outra com essa 'pequeneza'? Gente, isso é a vida dela! É sério, não é?
Missão, para mim, é grave, urgente, imprescindível, inadiável, impassível de negociação qualquer que seja. Isso não significa que não tenhamos a responsabilidade de cuidar nós mesmos dela da maneira mais ecológica possível. Aliás, para coisas graves, é sempre preciso um bom plano e muito cuidado, certo?
Isso significa que NÓS temos que dar esse peso e essa medida ao assunto em nossa vida. Isso significa que temos que fazer questão daquilo.
Compartilhar algo tão íntimo com o mundo de forma geral (marido, esposa, amigos, parceiros de trabalho, empresas etc) é uma tarefa árdua... Pois se isso é tão grave e urgente a mim e só a mim, quando e de que forma envolver os outros nisso gerando a tal ecologia que citei acima?
Me ocorre uma resposta possível: "Meu caro, isso prá mim é muito sério. Preste um pouco mais de atenção, por favor. Por mim. Obrigada."
Talvez com isso o outro entenda a 'brabeza' presente nas pessoas que levam suas tarefas pelo tom de missão...
E sobre isso já ouvi de tudo: minha missão é ser mãe, minha missão é espalhar amor pelo mundo, minha missão é ajudar as pessoas, minha missão é...
Via de regra, o 'título' da missão aparece voltada 'para fora', para o outro, para o mundo. E normalmente é algo que traz nobreza por ser todas elas repletas de boa intenção e brilho. De fato, todas são assim mesmo, mas não só.
Me lembro do balde de realidade que sempre existiu nos temas de psicanálise que vivi, fossem em sessões de análise, de supervisão de casos clínicos, de grupos de estudos etc.
À psicanálise, essa 'missão' tem a ver com um desejo, O Desejo, que tantas vezes traz mais dores e renúncias do que alegrias. E ele nunca vem desacompanhado de prazer. O prazer mais egoísta, eu digo.
Para que não julguemos apenas a psicanálise com esse olhar menos romântico à questão, cito também um texto do padre Fábio de Melo, em que narra a história de uma freira e diz: "Caridade prá mim é fazer sexo em praça pública." É... bem pouco romântico e nobre, não é?
Em estado de romantismo ou em estado de realidade, a missão da gente que vamos descobrindo ao longo da vida tem um ponto em comum: a seriedade.
Explico. Acabei de ler a seguinte frase do psicanalista Contardo Calligaris: "...no papo cordial dominante, quem leva sua tarefa a sério é considerado muito 'brabo'."
Levar a sério a missão descoberta ou em processo de é não permitir que nada e nem ninguém tire a 'gravidade' disso em nós.
Ser mãe, para mim, pode representar uma boa etapa da vida como mulher, mas é só uma etapa importante. Quem sou eu para dizer àquela que faz disso seu Desejo que não é nada mais que isso, nada além de uma etapa importante? E mais: quem sou eu para tratar isso na vida dessa outra com essa 'pequeneza'? Gente, isso é a vida dela! É sério, não é?
Missão, para mim, é grave, urgente, imprescindível, inadiável, impassível de negociação qualquer que seja. Isso não significa que não tenhamos a responsabilidade de cuidar nós mesmos dela da maneira mais ecológica possível. Aliás, para coisas graves, é sempre preciso um bom plano e muito cuidado, certo?
Isso significa que NÓS temos que dar esse peso e essa medida ao assunto em nossa vida. Isso significa que temos que fazer questão daquilo.
Compartilhar algo tão íntimo com o mundo de forma geral (marido, esposa, amigos, parceiros de trabalho, empresas etc) é uma tarefa árdua... Pois se isso é tão grave e urgente a mim e só a mim, quando e de que forma envolver os outros nisso gerando a tal ecologia que citei acima?
Me ocorre uma resposta possível: "Meu caro, isso prá mim é muito sério. Preste um pouco mais de atenção, por favor. Por mim. Obrigada."
Talvez com isso o outro entenda a 'brabeza' presente nas pessoas que levam suas tarefas pelo tom de missão...
domingo, janeiro 02, 2011
São apenas cereais...
As viradas de ano sempre me trazem algum sentimento muito forte que, geralmente, costumo validá-lo no fim do ciclo, nos últimos instantes do 'ano velho'.
E quando 'virou' 2011, pensei comigo: "São só cereais, Tatiana. Apenas cereais."
Lembrei-me dessa frase do filme Click, em que o anjo da morte fala ao personagem principal depois dele tanto desejar e 'avançar' no tempo para conquistar aquilo que julgava ser seus grandes desejos.
Depois de um ano intenso, como já escrevi na postagem anterior, 2011 chegou com uma cara serena, embora isso não disfarce a força que sei que terá...
E por que isso me veio à mente? Porque considero que me apaixonei várias vezes ao longo de 2010 e paixão, via de regra, é algo que tira a gente do eixo, mexendo com nossos sentidos e trazendo certo infortúnio...
Apaixonei-me por projetos, amigos, momentos... Os vivi com toda a intensidade, mesmo sabendo que aquilo ia passar...
E passou. Passou aquele furor, aquela certa violência no sentir, aquela coisa que parece que o mundo vai acabar se não der certo, sabe?
A serenidade que me traz 2011 mostra que, mesmo com tanta paixão por algumas coisas, no fim, são cereais... e não um potão de ouro. E isso traz uma simplicidade tao deliciosa à vida...
O quanto conseguimos reconhecer nossos ouros e cereais? Quantos cereais afirmamos como 2+2 são 4 que são ouro e quantos ouros que...tratamos e levamos como cereais?
Uma querida amiga me pediu para escrever sobre o ato de errar. E desde que ela me fez esse pedido, pelo qual fiquei muito grata, estive pensando no que faz a gente errar e, não raramente, no mesmo ponto, no mesmo lugar. Da mesma maneira.
Depois de revisitar meus pensamentos, notei: todas as vezes mais marcantes que posso afirmar que errei, mesmo na mais simples tarefa, eu estava apaixonada... Estava com tanta vontade de fazer aquilo, de estar com alguém, como se depois daquele momento nada mais existisse e aí...errei. Errei no julgamento, errei na execução, errei no falar.
Com o passar do tempo e com os aprendizados que a vida oferece, podemos notar cada vez mais nossa pequeneza e isso...ah, isso sim traz tranquilidade. Porque embora sejamos importantes no mundo, embora o Criador precise dos nossos corações e mentes voltados para o bem, nós somos pequenos. Menores que um grão de areia...
E aí, novamente é inevitável eu relembrar de um sábio homem que num saudoso domingo disse que: "Quando eu deixei de querer, eu consegui."
2011 traz a serenidade daqueles que sabem que plantar e cultivar é muito diferente de encharcar o terreno com água e adubo. Que chega uma hora que precisamos deixar a natureza fazer a parte dela. Não somos o sol nem o tempo para querer que as rosas nasçam antes do momento... Somos apenas um importante intermediário...
Erramos, em minha opinião, invariavelmente quando estamos com o sentimento da paixão a frente, deixando a certeza do bom plantio para traz...
Ou seja: queira muito e priorize aquilo que está no seu controle, pois o resto... o resto o Universo cuida. E isso vale para o trabalho e às nossas relações, principalmente.
No final a única coisa que importará, pelo qual seremos lembrados - desde uma simples atividade até o legado de uma vida - é a maneira e a intenção com as quais executamos nossos plantios e colhemos nossos frutos.
Afinal, são apenas cereais...
E quando 'virou' 2011, pensei comigo: "São só cereais, Tatiana. Apenas cereais."
Lembrei-me dessa frase do filme Click, em que o anjo da morte fala ao personagem principal depois dele tanto desejar e 'avançar' no tempo para conquistar aquilo que julgava ser seus grandes desejos.
Depois de um ano intenso, como já escrevi na postagem anterior, 2011 chegou com uma cara serena, embora isso não disfarce a força que sei que terá...
E por que isso me veio à mente? Porque considero que me apaixonei várias vezes ao longo de 2010 e paixão, via de regra, é algo que tira a gente do eixo, mexendo com nossos sentidos e trazendo certo infortúnio...
Apaixonei-me por projetos, amigos, momentos... Os vivi com toda a intensidade, mesmo sabendo que aquilo ia passar...
E passou. Passou aquele furor, aquela certa violência no sentir, aquela coisa que parece que o mundo vai acabar se não der certo, sabe?
A serenidade que me traz 2011 mostra que, mesmo com tanta paixão por algumas coisas, no fim, são cereais... e não um potão de ouro. E isso traz uma simplicidade tao deliciosa à vida...
O quanto conseguimos reconhecer nossos ouros e cereais? Quantos cereais afirmamos como 2+2 são 4 que são ouro e quantos ouros que...tratamos e levamos como cereais?
Uma querida amiga me pediu para escrever sobre o ato de errar. E desde que ela me fez esse pedido, pelo qual fiquei muito grata, estive pensando no que faz a gente errar e, não raramente, no mesmo ponto, no mesmo lugar. Da mesma maneira.
Depois de revisitar meus pensamentos, notei: todas as vezes mais marcantes que posso afirmar que errei, mesmo na mais simples tarefa, eu estava apaixonada... Estava com tanta vontade de fazer aquilo, de estar com alguém, como se depois daquele momento nada mais existisse e aí...errei. Errei no julgamento, errei na execução, errei no falar.
Com o passar do tempo e com os aprendizados que a vida oferece, podemos notar cada vez mais nossa pequeneza e isso...ah, isso sim traz tranquilidade. Porque embora sejamos importantes no mundo, embora o Criador precise dos nossos corações e mentes voltados para o bem, nós somos pequenos. Menores que um grão de areia...
E aí, novamente é inevitável eu relembrar de um sábio homem que num saudoso domingo disse que: "Quando eu deixei de querer, eu consegui."
2011 traz a serenidade daqueles que sabem que plantar e cultivar é muito diferente de encharcar o terreno com água e adubo. Que chega uma hora que precisamos deixar a natureza fazer a parte dela. Não somos o sol nem o tempo para querer que as rosas nasçam antes do momento... Somos apenas um importante intermediário...
Erramos, em minha opinião, invariavelmente quando estamos com o sentimento da paixão a frente, deixando a certeza do bom plantio para traz...
Ou seja: queira muito e priorize aquilo que está no seu controle, pois o resto... o resto o Universo cuida. E isso vale para o trabalho e às nossas relações, principalmente.
No final a única coisa que importará, pelo qual seremos lembrados - desde uma simples atividade até o legado de uma vida - é a maneira e a intenção com as quais executamos nossos plantios e colhemos nossos frutos.
Afinal, são apenas cereais...
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