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terça-feira, outubro 26, 2010

Psicanálise, Filosofia e Espiritualidade

Os textos aqui publicados são produzidos a partir da minha experiência de vida. Ao longo dos meus jovens 29 anos, me autorizo a falar e refletir sobre o que vejo, sinto e penso sobre o mundo e o humano.

Minha habilitação para construir textos sobre os temas do título desse artigo não vem de técnicas, diplomas ou recomendações de "gente importante". Ela - a habilitação - vem da subjetividade explorada, redefinida e, de uma certa maneira, desaforada. Vem da contribuição que posso oferecer a você - que lê - para ser 'canetada' e, mesmo sabendo disso, sentir-me livre e não culpada. Afinal, sou mais dona do meu desejo hoje do que ontem.

A habilitação também vem das conversas sobre o mundo, de onde viemos, para onde vamos e, entre uma coisa e outra, o que fazemos com tanto espaço e tempo que normalmente tenho com gente que estuda mais do que eu. Vem da incessante vontade de conhecer para fazer algo diferente.

Vem também da fé que possuo nAquilo que está não acima de nós e sobre todas as coisas, mas dentro de cada um de nós e de todas as coisas. Aquilo que causa intuição, poder e coragem.

Bom, não sei se percebeu, mas já falei sobre os temas do título desse texto. Quando falo de "habilitação" falo daquilo que dá autoridade. O que seria isso senão a própria experiência?

Do que adianta você falar sobre as 10 formas de gerenciar uma equipe de alta performance se nunca teve alguém olhando para você como uma referência e sentiu medo com isso, além de nunca ter alcançado a dita da alta performance? Como oferecer esperança se não viveu a certeza de acreditar e acontecer aquilo em que se acreditou?

De onde vem nossas opiniões? A mim, no meu falho modelo mental, de um único lugar: da experiência. Atreva-se a experimentar para depois dizer se gosta ou não de coxinha de frango com queijo cheddar. Os pontos de vista dependem do que aconteceu com você e com o outro depois de comer a coxinha...

Me entristeço razoavelmente quando vejo posições tão de 'direita' ou de 'esquerda' com relação a esses três temas que tratam de dar alguma luz às principais e complexas questões do ser humano.

Ah... acho que posso entender... Parafraseando um psicanalista pelo qual tenho grande admiração, quem nunca experimentou se impede de opinar...

domingo, outubro 24, 2010

Intimidade

Ser íntimo, segundo uma das definições encontradas no dicionário da língua portuguesa, significa: que existe no ânimo, no coração; a parte mais interna.

Podemos nos sentir íntimos de lugares como nossa casa ou nosso ambiente de trabalho. De uma música, de um livro. De um animal de estimação que traz consigo uma pureza única. De uma situação específica. E, claro e principalmente, de pessoas.

Existem, ao meu ver, qualidades de pessoas que habitam nossa vida: as comuns - que normalmente sentimos respeito por ser um igual - as conhecidas - que temos um relacionamento cordial e trocamos informações variadas - as queridas - que comumente sentimos afeto, respeito e admiração pelo que são, pelas idéias e pelo caráter - as amigas - que sentimos uma conexão diferente, próxima, forte. Íntima.

Com cada tipo de gente e 'qualidade' destas desenvolvemos uma relação específica que traz seus benefícios e seus desafios. Não é fácil, hoje em dia, nem mesmo respeitar o outro seja por ser diferente na maneira de pensar, de agir ou por estarmos muito preocupados com nossos problemas julgando-os mais sérios que os das demais pessoas. Imagina só chamar alguém de amigo...

No trabalho a mesma coisa: quando estamos verdadeiramente envolvidos com aquilo, no auge do nosso compromisso de 'fazer', no 'ânimo' e no coração, existe algo que nos aproxima. E o que é?

Novamente ao meu ver, se trata da qualidade dos sentimentos e experiências que são trocadas com o ambiente e suas produções neste.

O que diferencia uma pessoa querida de um amigo? Um trabalho que traz satisfação de um emprego? O bichinho do vizinho e o seu de estimação?

Qual é a troca que nos faz sentir com os corações/emoções conectados? Qual a convivência (física e/ou emocional) necessária para saltarmos de uma coisa à outra? Qual é o nível de tranquilidade em se mostrar como é e das confidências?

Parafraseando um homem sábio, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

A sabedoria para distinguir uma coisa da outra é possível nos faltar: confundirmos um bom projeto de trabalho com a missão de nossa vida. Uma pessoa muito querida com um grande amigo.

Tudo depende, ainda, da nossa expectativa entre aquilo que se deseja ter com as coisas/pessoas e aquilo que elas podem nos oferecer.

Nesse ponto da história, mais sabedoria é necessária: nós precisamos dar conta dos fantasmas e das dúvidas que fazem parte desse mesmo íntimo e não confundir alhos com bugalhos...

E você? Consegue olhar seu trabalho, seus amigos, seus conhecidos, enfim tudo que compõe sua vida hoje e distinguir o que é da intimidade e o que não é? O que é, consegue tratar como tal, demonstrar e o que não é, sabe cuidar com o respeito que merece?

É... um exercício longo e difícil, caro leitor. Mas muito necessário para conhecermo-nos e saber qual o papel de tudo isso em nossas vidas.

Necessário para que o vazio - inerente ao ser humano - não se torne maior do que deve ser.

domingo, outubro 17, 2010

Indeterminação

Li uma frase esses dias no facebook de uma antiga companhia que fez parte da minha vida e história por um longo período: "inventando experiências produtivas da indeterminação."

E, estando no facebook de quem estava, dá prá entender a complexidade dela. A mesma complexidade que me fez olhar para dentro durante esse tempo e rir e chorar diante do que era encontrado. Mas não é só de complexidade que meu percurso com essa pessoa foi feito. Havia muita simplicidade também assim como a frase, por mais que não pareça num primeiro momento.

Após escrevê-la, alguém perguntou a essa pessoa do que se tratava e aí tudo fico mais claro.

Inventar experiências produtivas da indeterminação é mais ou menos assim: gerar oportunidades para não ter certeza do que virá em seguida. Assim foi como li e pensei sobre a citação.

E isso é muito bacana e... simples. Pena que dá trabalho...

Num mundo em que nos é exigido momento após momento sabermos para onde irmos, o que desejar, o que rejeitar, o que falar, o que calar, me parece saudável nos largarmos e deixarmos a incerteza do minuto seguinte tomar conta de nós.

Em meio a decisões, a projetos, a relações, a crenças, o não-saber 'para onde' nem 'como' pode ser uma fenda, uma brecha que traz respiro e saúde.

Me lembrei também de uma frase que ouvi num treinamento, de um sábio homem, que dizia que 'quando paramos de querer, as coisas acontecem'.

Fato. Trabalhamos muito por algo, seja esse algo onde e o que for, e não aceitamos que aquilo - objetivo do desejo - não aconteça no prazo "congruente" ao nosso esforço para obtê-lo.

De novo, o 'largar de mão' - como diria minha avó - parece saudável e até necessário para que as coisas sigam seu curso natural.

Às vezes, depois de almejar, pensar, planejar, trabalhar, construir, dedicar, cuidar... é hora de deixar. Deixar para que a 'indeterminação do minuto seguinte' faça sua parte.

Enquanto isso, a gente descansa e respira.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Video Game

Tive um sonho. Daquele jeito: tudo meio confuso, algumas coisas até engraçadas.

Nele, cenas aconteciam rapidamente, carregadas de significados para as experiências que tenho vivido acordada.

Eu era como aqueles avatares de jogos de video game: obstáculos, pula daqui, salta dali, abaixa, levanta, anda um passinho para frente, erra o botão do controle e volta um passinho para trás. Cores, pessoas conhecidas em cenas esquisitas.

Lá pela '3ª fase' - do sonho - me deparei com dois caminhos: ou subia uma montanhazinha ou ia por baixo. A montanha era íngreme, havia até uma trilha nela, mas era de uma certa maneira assustadora pelo tamanho. O caminho 'de baixo' era, aparentemente, mais tranquilo apesar de não haver nada que me guiasse por ele, como a trilha na montanha.

E os botões do controle voltaram a ficar doidos: ora o avatar estava para a direita, apontado à montanha, ora para a esquerda, apontando à linha reta, de baixo. E aí, as esquisitices das 'fases' anteriores, aquela gente toda, as cenas passaram a acontecer ao meu lado, como se fossem elementos para que, naquela altura do campeonato, o avatar fosse para o lado mais adequado. Perceba: não o certo ou errado, simplesmente o mais adequado.

De um lado, cenas que traziam as vontades, as certezas da caminhada, os novos valores e as novas crenças. Traziam a missão. De outro, gente ainda mais familiar, que carregava a história até aquele momento, as conquistas, as construções sólidas. Traziam o amor.

No sonho, pensei: "E agora?" Subir a montanha exigirá, certamente, mais trabalho, mais persistência, mais atenção, mais dedicação. Exigirá mais confiança nas pessoas que estão desse lado e no que encontrarei do outro lado dela.

Ir por baixo, é mais tranquilo, mais seguro e posso ver, não com tanta clareza, o que tem lá.

O avatarzinho, nesse momento, abaixou a cabeça, fechou seus olhos, respirou fundo e pediu ao Cara que tinha o controle nas mãos que fizesse brilhar aquilo que era melhor para aquele jogo.

Ele, o avatar, também lembrou diante desse 'pedido', novamente, de um sonho onde um amigo recente, mas intenso dele dizia para ele pular num rio. E ele se lembrou de que sentiu medo e de que não tinha absolutamente nenhuma certeza. Mas mesmo assim, nessa cena, o avatar pulou.

Num susto angustiado, levando a mão à garganta, numa respiração forte e até alta, eu acordei.

domingo, outubro 03, 2010

O valor do silêncio

Somos todos diferentes. Mesmo quando encontramos pessoas parecidas conosco na maneira de pensar, de agir e de lidar com o mundo e com a vida, somos diferentes uns dos outros.

E é na diferença que aprendo muito.

Uma das coisas que mais observo e aprendo ultimamente é o valor do silêncio. Nas minhas leituras atuais, em algumas relações de amizade, nossa... como é poderoso quando os sentimentos, por exemplo, passam através de um ato silencioso. É mais forte do que o ato declarado.

E é no silêncio que se contempla sentimentos como amor, fé, desapego, igualdade. Nele também podemos exercitar a intuição e o poder de ver além do que os nossos olhos físicos são capazes de nos informar.

O silêncio também traz tempo para observação. Já reparou como é rico quando apenas nos dispomos a observar, sem a pressa de emitir nossa opinião sobre algum fato, pessoa ou ambiente?

Na observação silenciosa podemos perceber as características das pessoas ou dos lugares onde vivemos e exercemos nossos papéis, podemos "sentir o clima", podemos enxergar detalhes e, muito fortemente, perceber os valores nossos e de quem convive conosco.

Sobre os valores, o silêncio oferece uma outra grandiosa possibilidade: a de convivermos, com o mínimo de harmonia, com aqueles valores que nada tem a ver com os nossos.

Sabe aqueles lugares onde você sabe que contraria tudo em que acredita, tudo que deseja para sua caminhada? Aqueles lugares onde se faz necessário estar num determinado período por força de alguma necessidade ou porque é ali que você precisa desenvolver novas habilidades, de repente aprender como lidar com as pessoas que pensam diferente de você, como citado no início desse texto?

Certamente, não é só de flores que nosso dia-a-dia é composto, e por muitas vezes precisamos compreender - e não é tarefa nada fácil - os motivos pelos quais estamos onde estamos, fazendo o que fazemos, com as pessoas que estamos.

Há um outro exercício importante aí, que o silêncio também ajuda a executar: garantir, para nós mesmos, nossos valores pessoais sem que o ambiente seja nocivo a eles ou que façam-os confusos. Quanto mais falamos, mais damos abertura e "colocamos à mesa" coisas sagradas (os próprios valores, a missão, as crenças que engrandecem e por aí vai).

Valorizar o que é bom para nós passa pelo ato de não agir muitas vezes, não é verdade?

Torço para que cada um de nós entendamos o complexo composto do dia-a-dia e que, no meio de tudo que nos acontece, sintamos a certeza de quem somos, lá no fundo, na alma, sabe? E que isso, ISSO sim, defina-nos. Não o contrário...