Queridos Leitores e Seguidores deste Blog Querido, olá!
Inauguro em minha vida uma fase muito bacana, desejada e planejada.
Este blog foi criado pela ideia e sugestão de uma querida amiga, chamada Luanna a quem devo muitas coisas que sei, inclusive o nome deste Blog.
Ele foi uma das 20 coisas que realizei depois de um treinamento que marcou minha vida e minha trajetória. Mais do que isso: ele foi A PRIMEIRA COISA que realizei.
Agradeço a cada comentário e a cada leitura, pois foram por eles todos que continuei a escrever e continuarei a escrever.
Nos encontramos agora no www.tatianaalvares.blogspot.com que é meu novo blog. O Cabeça de Lantejola será desativado em breve.
Além deste novo blog que trata de textos só meus (também contempla todo o conteúdo do Cabeça), temos ainda o www.exceptiongd.blogspot , blog que tenho o prazer de compartilhar com amigos que, assim como eu, se atrevem a expor sua vida íntima intelectual ao mundo.
Novamente, obrigada pela companhia de 2 anos! Nos vemos no blog novo!!!
Abraços,
Tatiana Alvares
“As ideias tem ideias próprias... Forçadas a marchar numa direção única, elas se rebelam.” Rubem Alves
sábado, julho 30, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
O "inimigo" se foi. E agora?
O livro "Efeito Sombra" é uma leitura complicada. Apesar de não ser lá muita novidade o que os autores trazem de ideias, tem coisas duras de se ler.
Uma delas que me fez refletir muito foi que precisamos dos nossos "inimigos". Ele ocupa um lugar de desenvolvimento em nosso insconsciente.
Como isso é possível? Simples. Ele nos desafia. Nos faz ficar em estado de alerta, atentos, com a autocrítica aguçada. Nos faz ficar sempre na espreita esperando o próximo bote do danado.
Entendo por "inimigo", primeiramente, nós mesmos. Nossos vícios, nossos defeitinhos, nossas crenças... nossas teimosias. Depois acredito nos inimigos externos: aquele amigo que te traiu, aquele colega de trabalho que te passou a perna, aquela grande surpresa por descobrir o caráter de alguém que julgava honesto, pessoas que só pensam e lutam com veemência pela vantagem única e exclusiva de si mesmo. A lista é grande...
De qualquer forma, ele precisa ser vencido de acordo com nossa cultura, certo? Então, até que está certo, mas e o desenvolvimento que ele traz?
Costumo dizer que nada congrega mais gente, nada converge tanto interesse e desejo num grupo como um inimigo em comum. Se ele pode gerar benefícios em nós, o que dirá num contágio social como numa equipe, num grupo, numa empresa?
Algumas considerações mais práticas:
1. Reconheça-o. Seja ele interno ou externo, seja subjetivo ou bem "vivinho da silva", saiba quem são eles. Só assim você poderá fazer duas coisas importantes: proteger-se e crescer enquanto luta.
2. Respeite-o. Ele é importante e, se é seu inimigo mesmo, está a altura da sua capacidade. Você pode lutar de igual prá igual.
3. Acolha-o. Essa é a pior, né? Só parece. Tratá-lo com um certo carinho não te fará mal. Qualquer coisa humana precisa de reconhecimento e quando não o é - e no seu lugar é recalcado - já diria Freud, volta com a força de uma bola forçada para baixo numa caixa d'água.
E quando o vencemos, hein? Quando o vício é submetido à sua vontade, o amigo traiçoeiro eliminado, o 'mal caráter' some da nossa vida? Aí fica um buraco, pois talvez só nesse momento percebemos o tamanho da importância dele em nosso crescimento.
Arrisco-me a dizer que dá até uma saudadinha...
Algo precisa entrar no vazio... O que você colocará lá? Hein?
sexta-feira, maio 27, 2011
O Essencial
Liberdade consiste em encontrar, respeitar e preservar aquilo que há de essência em nós.
A busca por ela não é simples e nem para covardes: é para sempre e só para dignos e corajosos.
Exige desapego, autoconfiança e amor próprio, além de oferecer algo que tantos humanos passam as encarnações buscando: o Essencial.
Essencial, sim, em letra maiúscula, pois é nome próprio de algo Divino. Talvez seu núcleo que, guardadas as devidas proporções, também é o nosso.
O reconhecemos nos sentimentos de fé, confiança ou algo que o valha. Mas não falo naquela fezinha, confiançazinha ou alguma coisinha. Esse núcleo é ÃO. Aliás, a vida é para quem é ÃO. Mesmo que Deus ou Divino prá você signifique você mesmo e nada mais.
É viver, é largar, é fechar os olhos e...ir. Quantas vezes declaramos a tal da fé, balbuciamos ou cantamos nossa crença em Deus (seja Ele o que ou quem for prá você) e na hora de sentar no carrinho e se largar ali nós recuamos? Perguntas como: "Ah, mas o que vão pensar?; Tenho posição e uma situação confortável... deixar tudo para trás?; Essa relação é importante prá mim e me escraviza: e agora? Muita gente depende de mim, como deixar isso prá lá?", permeiam o ato de fraqueza próprio do ser humano que ainda não se sente bem dentro do corpo e mente que habita. Não estou aqui dizendo para ser logo um irresponsável e chutar os paus de todas as barracas. Digo apenas que há outras opções. Sempre.
E quando esse sujeito é vencido pela fraqueza, ele perde. Perde muito, pois há universos infindáveis de capacidades para que ele experimente e faça uso para viver.
Essencial é Uma Coisa. E mesmo que não saibamos dar nome a ela, mesmo que não possa ser representado por um objeto (um trabalho, uma relação etc) é isso aí, inominável, que - sendo não reconhecido - causa frustração e nos deixa sempre num caminho do 'mais ou menos' e faz cair nossos ombros e cabeça para baixo.
Reconheça e liberte-se dos seus medos e inseguranças. Muitos param já na primeira etapa...
E você?
A busca por ela não é simples e nem para covardes: é para sempre e só para dignos e corajosos.
Exige desapego, autoconfiança e amor próprio, além de oferecer algo que tantos humanos passam as encarnações buscando: o Essencial.
Essencial, sim, em letra maiúscula, pois é nome próprio de algo Divino. Talvez seu núcleo que, guardadas as devidas proporções, também é o nosso.
O reconhecemos nos sentimentos de fé, confiança ou algo que o valha. Mas não falo naquela fezinha, confiançazinha ou alguma coisinha. Esse núcleo é ÃO. Aliás, a vida é para quem é ÃO. Mesmo que Deus ou Divino prá você signifique você mesmo e nada mais.
É viver, é largar, é fechar os olhos e...ir. Quantas vezes declaramos a tal da fé, balbuciamos ou cantamos nossa crença em Deus (seja Ele o que ou quem for prá você) e na hora de sentar no carrinho e se largar ali nós recuamos? Perguntas como: "Ah, mas o que vão pensar?; Tenho posição e uma situação confortável... deixar tudo para trás?; Essa relação é importante prá mim e me escraviza: e agora? Muita gente depende de mim, como deixar isso prá lá?", permeiam o ato de fraqueza próprio do ser humano que ainda não se sente bem dentro do corpo e mente que habita. Não estou aqui dizendo para ser logo um irresponsável e chutar os paus de todas as barracas. Digo apenas que há outras opções. Sempre.
E quando esse sujeito é vencido pela fraqueza, ele perde. Perde muito, pois há universos infindáveis de capacidades para que ele experimente e faça uso para viver.
Essencial é Uma Coisa. E mesmo que não saibamos dar nome a ela, mesmo que não possa ser representado por um objeto (um trabalho, uma relação etc) é isso aí, inominável, que - sendo não reconhecido - causa frustração e nos deixa sempre num caminho do 'mais ou menos' e faz cair nossos ombros e cabeça para baixo.
Reconheça e liberte-se dos seus medos e inseguranças. Muitos param já na primeira etapa...
E você?
quinta-feira, maio 05, 2011
Reencontrando o Mestre
A conspiração do Universo é a coisa mais bela de observar, sentir, constatar.
No momento em que me faço profundas perguntas sobre 'prá onde' e, principalmente, 'por que' me deparo com um reencontro: falas, passagens, e-mails, dedicatórias de um antigo, amado e grande Mestre.
Reencontrando essas coisas todas, algo me arranca um sorriso fácil dos lábios: eu me lembro de como fui formada.
Me lembro dos valores que me norteiam profissionalmente. Me lembro dos 'por ques' que este Mestre sempre me ensinou (e me ensinou no exemplo de ser e não na fala). Me lembro de como passei a amar ser profissional de desenvolvimento humano.
E, lembrando disso tudo, constato o porque havia esquecido algumas coisas...
Como foi bom recuperar assim, como um 'resumão', o que ele me ensinou e que até hoje (e sempre!) eu tento chegar apenas perto do que ele sempre foi:
Preservar acima de tudo a nossa ética, garantir o crescimento verdadeiro das pessoas, exercer sua atividade com base no que acredita, recursar-se a executar algo que não esteja a serviço do bem, questionar até o fim quando algo não 'lhe desce' direito, deixar claro os valores que lhe norteiam. Fazer o que acredita, da maneira como acredita, com o coração voltado ao bom e justo e sempre, sempre com base em conhecimento.
É... ensinar tudo isso sempre foi muito fácil a muitos. Viver - e trabalhar - verdadeiramente agindo assim, é para poucos. Muito poucos.
E me sinto honrada de ter sido criada como profissional por ele. E honrarei, cada dia mais, essa honra através do exercício digno de tudo que me foi transmitido...
Obrigada, Saint-Clair.
No momento em que me faço profundas perguntas sobre 'prá onde' e, principalmente, 'por que' me deparo com um reencontro: falas, passagens, e-mails, dedicatórias de um antigo, amado e grande Mestre.
Reencontrando essas coisas todas, algo me arranca um sorriso fácil dos lábios: eu me lembro de como fui formada.
Me lembro dos valores que me norteiam profissionalmente. Me lembro dos 'por ques' que este Mestre sempre me ensinou (e me ensinou no exemplo de ser e não na fala). Me lembro de como passei a amar ser profissional de desenvolvimento humano.
E, lembrando disso tudo, constato o porque havia esquecido algumas coisas...
Como foi bom recuperar assim, como um 'resumão', o que ele me ensinou e que até hoje (e sempre!) eu tento chegar apenas perto do que ele sempre foi:
Preservar acima de tudo a nossa ética, garantir o crescimento verdadeiro das pessoas, exercer sua atividade com base no que acredita, recursar-se a executar algo que não esteja a serviço do bem, questionar até o fim quando algo não 'lhe desce' direito, deixar claro os valores que lhe norteiam. Fazer o que acredita, da maneira como acredita, com o coração voltado ao bom e justo e sempre, sempre com base em conhecimento.
É... ensinar tudo isso sempre foi muito fácil a muitos. Viver - e trabalhar - verdadeiramente agindo assim, é para poucos. Muito poucos.
E me sinto honrada de ter sido criada como profissional por ele. E honrarei, cada dia mais, essa honra através do exercício digno de tudo que me foi transmitido...
Obrigada, Saint-Clair.
domingo, maio 01, 2011
Autocrítica
Se enxergar. Se entender. Usar os mLs de semancol. Olhar no espelho. Ser sincero com você mesmo.
Bonito tudo isso, não é verdade? Parece que só parece ser.
Aprendi que se algo me acontece - de bom ou de ruim - algum estímulo eu dei para isso. Seja ele consciente ou inconsciente. Ou seja, algum elemento eu dei para que a fusão química entre 'Tatiana + O Outro = XPTO' acontecesse.
E sempre me faço essa pergunta: "Qual foi/é o elemento?" Escrevi sobre os elementos na última postagem.
Apenas ando espantada com a falta de olhar interno de pessoas extremamente inteligentes, íntegras e competentes no que fazem. Pessoas que possuem muitos recursos (psíquicos e intelectuais).
Essas pessoas, em minha humilde opinião, até olham para si, mas parece que procuram enxergar as coisas da maneira como lhes convém.
Outro dia ouvi a Glória Pires dizendo que seu pior defeito é a maledicência e que é um esforço diário mantê-lo submetido. Quantas vezes você admitiu para você mesmo uma coisa tão 'feia' assim? Ela foi, naquele momento, um grande exemplo da saudável autocrítica, aquela em que eu acredito.
Aí, eu destaco dois tipos de autocrítica:
Autocrítica vaidosa é aquela que está a serviço de, mesmo inconscientemente, justificar porque fazemos da maneira que fazemos ou não fazemos algo.
Autocrítica real é aquela que mostra, sem muita piedade, qual é a 'tralha subjetiva' da qual precisa se livrar para ser uma pessoa melhor. E é essa aí que exige esforço, disciplina e ajuda, pois é dolorosa e, ao mesmo tempo, extremamente aliviante. Ela é paradoxal.
E por ser paradoxal, a autocrítica real não é para os fortes de papo e fracos de mente. É para os dedicados, justos, fortes e corajosos.
É para aqueles que querem de fato entender - ou mudar as perguntas: "porque tudo se vira contra você, porque ninguém te entende, porque ninguém te reconhece e porque você vive estressado e jogando tóxico pesado no seu corpo e mente."
E aí? A quantos mLs andam seu semancol?
Bonito tudo isso, não é verdade? Parece que só parece ser.
Aprendi que se algo me acontece - de bom ou de ruim - algum estímulo eu dei para isso. Seja ele consciente ou inconsciente. Ou seja, algum elemento eu dei para que a fusão química entre 'Tatiana + O Outro = XPTO' acontecesse.
E sempre me faço essa pergunta: "Qual foi/é o elemento?" Escrevi sobre os elementos na última postagem.
Apenas ando espantada com a falta de olhar interno de pessoas extremamente inteligentes, íntegras e competentes no que fazem. Pessoas que possuem muitos recursos (psíquicos e intelectuais).
Essas pessoas, em minha humilde opinião, até olham para si, mas parece que procuram enxergar as coisas da maneira como lhes convém.
Outro dia ouvi a Glória Pires dizendo que seu pior defeito é a maledicência e que é um esforço diário mantê-lo submetido. Quantas vezes você admitiu para você mesmo uma coisa tão 'feia' assim? Ela foi, naquele momento, um grande exemplo da saudável autocrítica, aquela em que eu acredito.
Aí, eu destaco dois tipos de autocrítica:
Autocrítica vaidosa é aquela que está a serviço de, mesmo inconscientemente, justificar porque fazemos da maneira que fazemos ou não fazemos algo.
Autocrítica real é aquela que mostra, sem muita piedade, qual é a 'tralha subjetiva' da qual precisa se livrar para ser uma pessoa melhor. E é essa aí que exige esforço, disciplina e ajuda, pois é dolorosa e, ao mesmo tempo, extremamente aliviante. Ela é paradoxal.
E por ser paradoxal, a autocrítica real não é para os fortes de papo e fracos de mente. É para os dedicados, justos, fortes e corajosos.
É para aqueles que querem de fato entender - ou mudar as perguntas: "porque tudo se vira contra você, porque ninguém te entende, porque ninguém te reconhece e porque você vive estressado e jogando tóxico pesado no seu corpo e mente."
E aí? A quantos mLs andam seu semancol?
quarta-feira, abril 20, 2011
Cultura: quais são seus principais elementos?
Cultura organizacional. Formada por aquilo que não está no controle do comando da empresa. É? Em termos.
A cultura das empresas (ou de um país, sociedade) - e também podemos traçar um paralelo com a nossa própria imagem pessoal - é a imagem, a leitura que as pessoas tem do seu ambiente de trabalho/país/sociedade.
E isso independe do que se pendura nas paredes ou se coloca nas campanhas de marketing.
Muito bem. Quanto mais elevados os elementos que damos, mais elevadas são as percepções. E se a qualidade for baixa, baixa serão as percepções.
A grande disfunção está quanto você anda pelos diversos locais de uma mesma organização e parece que está em várias empresas diferentes. Ou quando você anda em vários grupos de convivência e recebe várias impressões sobre você.
Sempre quando tenho a oportunidade de perceber esse fenômeno, o primeiro movimento que faço é me perguntar: "Qual foi o estímulo que a empresa - ou eu - deu para que isso fosse compreendido assim?"
Da fala das pessoas saem desde histórias e conclusões absolutamente emocionais(chegam a ser fantasiosas) até o outro oposto, as extremamente racionais. Ambas muito venenosas, tóxicas.
No caso das organizações, não convergir uma grande massa de gente em prol dos mesmos objetivos é o que pode deixar uma empresa à deriva. Cada um vai para um lado e ninguém para o lugar 'certo'.
Gera-se desde mediocridade no desenvolvimento das carreiras até a dissimulação. Sim, é isso mesmo: as pessoas finjem. Por dois grandes motivos: não percebem que podem mudar dali ou, por alguma impossibilidade, é preciso manter a moeda que garante o sustento.
Se isso se estender por um tempo razoável, levamos registros fortes às essas personalidades que é assim que o mundo funciona. Impactamos a maneira como elas entendem e levam a vida.
No caso de 'gente', o resultado da semeadura de elementos ruins é, via de regra, a solidão. Acaba-se por viver sozinho, mesmo cercado de muitos. Acaba-se por sorrir e chorar acompanhado apenas de um copo de alguma bebida preferida.
Nesse caso a 'moeda' é outra. Ninguém mantém ninguém próximo e verdadeiramente conosco pagando um salário mensal, certo?
Autocrítica. Ela serve bem nesses casos. Perguntas como: O que está no seu controle para que seja mais compreendido? O que o torna um grande contribuidor? Que qualidade de elementos está usando? pode ser uma chave que abre um mundo de possibilidades.
A cultura das empresas (ou de um país, sociedade) - e também podemos traçar um paralelo com a nossa própria imagem pessoal - é a imagem, a leitura que as pessoas tem do seu ambiente de trabalho/país/sociedade.
E isso independe do que se pendura nas paredes ou se coloca nas campanhas de marketing.
Muito bem. Quanto mais elevados os elementos que damos, mais elevadas são as percepções. E se a qualidade for baixa, baixa serão as percepções.
A grande disfunção está quanto você anda pelos diversos locais de uma mesma organização e parece que está em várias empresas diferentes. Ou quando você anda em vários grupos de convivência e recebe várias impressões sobre você.
Sempre quando tenho a oportunidade de perceber esse fenômeno, o primeiro movimento que faço é me perguntar: "Qual foi o estímulo que a empresa - ou eu - deu para que isso fosse compreendido assim?"
Da fala das pessoas saem desde histórias e conclusões absolutamente emocionais(chegam a ser fantasiosas) até o outro oposto, as extremamente racionais. Ambas muito venenosas, tóxicas.
No caso das organizações, não convergir uma grande massa de gente em prol dos mesmos objetivos é o que pode deixar uma empresa à deriva. Cada um vai para um lado e ninguém para o lugar 'certo'.
Gera-se desde mediocridade no desenvolvimento das carreiras até a dissimulação. Sim, é isso mesmo: as pessoas finjem. Por dois grandes motivos: não percebem que podem mudar dali ou, por alguma impossibilidade, é preciso manter a moeda que garante o sustento.
Se isso se estender por um tempo razoável, levamos registros fortes às essas personalidades que é assim que o mundo funciona. Impactamos a maneira como elas entendem e levam a vida.
No caso de 'gente', o resultado da semeadura de elementos ruins é, via de regra, a solidão. Acaba-se por viver sozinho, mesmo cercado de muitos. Acaba-se por sorrir e chorar acompanhado apenas de um copo de alguma bebida preferida.
Nesse caso a 'moeda' é outra. Ninguém mantém ninguém próximo e verdadeiramente conosco pagando um salário mensal, certo?
Autocrítica. Ela serve bem nesses casos. Perguntas como: O que está no seu controle para que seja mais compreendido? O que o torna um grande contribuidor? Que qualidade de elementos está usando? pode ser uma chave que abre um mundo de possibilidades.
quarta-feira, abril 06, 2011
Tribunal
É comum e muitas vezes irresistível apresentarmos nossas opiniões sobre o mundo, as pessoas, as cenas da vida carregadas de um certo eco de barulho de martelo, assim como aqueles de um tribunal.
Li outro dia num livro bem interessante que quando emprestamos nosso julgamento a um ato, mais especificamente aquilo que consideramos "pecado", dividimos o peso da cruz com o "pecador" de origem. Faz sentido.
Avaliar a vida pelo nosso prisma pessoal é humano. Julgar a partir dele também, mas consideravelmente mais grave. Jamais sabemos todas as facetas, teias e motivos para as cenas que passam pelos nossos sentidos acontecerem da maneira que acontecem.
Há de se respeitar o ritmo. Há de se compreender a ressonância. Há de se conhecer a necessidade.
Estar atrás do dedo que aponta ao nariz do outro é confortável e, arrisco-me dizer, aprasível. Afinal, isso não nos coloca em posição de se mexer e fazer algo para comprometermo-nos com as questões do outro.
Estar na frente do dedo que aponta é mais inquietante e aí, talvez somente aí, captamos a mensagem: se você tem dedos, os outros também tem.
Questiono-me com frequência sobre várias coisas, o tempo todo. É certo que, dependendo do ciclo, 'temas' sejam mais comuns nessas 'discussões by myself'. Uma das principais atualmente é: sei da missão, mas como ela se dará? Qual é o papel principal que devo assumir?
Numa dessas vezes, como uma epifania (aprendi essa outro dia com um amigo), veio-me uma singela e grandiosa lição: seus " bons" motivos jamais serão os "bons" motivos do outro. Afinal (também como aprendi com esse mesmo amigo) o caminho é pessoal.
Se quer fazer algo por alguém, se quer realmente se comprometer com as questões do outro, se oferecer em ajuda, faça da maneira mais coerente: ofereça recursos e deixe o resto por conta do dono...
Boas análises a todos nós.
Li outro dia num livro bem interessante que quando emprestamos nosso julgamento a um ato, mais especificamente aquilo que consideramos "pecado", dividimos o peso da cruz com o "pecador" de origem. Faz sentido.
Avaliar a vida pelo nosso prisma pessoal é humano. Julgar a partir dele também, mas consideravelmente mais grave. Jamais sabemos todas as facetas, teias e motivos para as cenas que passam pelos nossos sentidos acontecerem da maneira que acontecem.
Há de se respeitar o ritmo. Há de se compreender a ressonância. Há de se conhecer a necessidade.
Estar atrás do dedo que aponta ao nariz do outro é confortável e, arrisco-me dizer, aprasível. Afinal, isso não nos coloca em posição de se mexer e fazer algo para comprometermo-nos com as questões do outro.
Estar na frente do dedo que aponta é mais inquietante e aí, talvez somente aí, captamos a mensagem: se você tem dedos, os outros também tem.
Questiono-me com frequência sobre várias coisas, o tempo todo. É certo que, dependendo do ciclo, 'temas' sejam mais comuns nessas 'discussões by myself'. Uma das principais atualmente é: sei da missão, mas como ela se dará? Qual é o papel principal que devo assumir?
Numa dessas vezes, como uma epifania (aprendi essa outro dia com um amigo), veio-me uma singela e grandiosa lição: seus " bons" motivos jamais serão os "bons" motivos do outro. Afinal (também como aprendi com esse mesmo amigo) o caminho é pessoal.
Se quer fazer algo por alguém, se quer realmente se comprometer com as questões do outro, se oferecer em ajuda, faça da maneira mais coerente: ofereça recursos e deixe o resto por conta do dono...
Boas análises a todos nós.
quinta-feira, março 24, 2011
Tudo tem um limite. Tem?
Alguns desafios específicos que têm ocupado parte dos meus dias causam-me uma reflexão dolorosa ultimamente.
E o ponto que mais me gera queima de massa encefálica é: qual é o limite das coisas?
Ontem com essa pergunta na cabeça me lembrei de um texto excelente de um amigo chamado José Carlos. O texto chama-se 'Linha Tênue' e me ajudou a elaborar um pouco mais este texto.
Uma das coisas que ele cita no texto é que fiquemos atentos à linha que separa tolerância de conivência, entre outras várias características comportamentais que compõem nosso caráter.
E é daí que quero partir e questionar: mesmo quando percebemos essa - e outras - sutil diferença, até onde devemos ir? Até quando avançar seja na tolerância seja na conivência? Qual é a base de valores que devemos nos atentar para seguir ou recuar?
Me parece óbvio que as pessoas são diferentes. Somos construidos com os mesmos 'materias', mas a maneira como eles se misturam em cada um de nós é o que dá a chamada identidade.
Mesmo com essa obviedade, volto a perguntar: qual é o limite?
Sempre ouvir dizer que o limite é o outro, ou seja, eu posso ir até onde o outro começa. Não é verdade.
Tenho aprendido coisas interessantes e uma delas é que vivemos de invadir a energia, a identidade e o espaço do nosso semelhante. Vivemos um tempo em que a quantidade é importante, pois afinal tem terremoto, tsunamis, chuvas de verão e quanto mais eu tiver, mais garantindo estou. Ao menos, é assim que vejo inúmeras pessoas se comportando: querendo ter mais.
Mais prestígio, mais poder, mais atenção, mais dinheiro, mais razão, mais um bonde de números que, a mim, dizem muito pouco.
Vejo poucas pessoas se ocupando em querer ser mais. Possivelmente porque ser mais exige ter menos. Nossa importância e contribuição, seja lá onde estivermos, são nas miudezas que se dão e acontecem. É no olhar, é na gratidão verdadeira, é na realidade interna de querer fazer melhor que o mundo nos olha como bons ou ruins, como decentes ou indecentes, como bem quistas ou mal quistas.
Vivemos no mundo dos rótulos e para qualquer lugar que olhemos ou andemos eles parecem uma erva daninha. Sendo essa triste realidade nossa de cada dia, não deveríamos nos ocupar de sermos melhores, nem que seja por via das dúvidas?
Me impressiono negativamente em ver pessoas perdendo suas almas no mundo físico e material pois do fundo do coração delas, elas acreditam que esse é o caminho. E acreditam também que o céu é o limite para suas malandragens e traquinagens para conseguirem o mais do ter.
Me entristeço como profissional de desenvolvimento humano, como psicóloga, como família, como gente.
A vontade que me dá é fazer vários minutos de silêncio em respeito ao meu próprio luto diante disso tudo.
E o ponto que mais me gera queima de massa encefálica é: qual é o limite das coisas?
Ontem com essa pergunta na cabeça me lembrei de um texto excelente de um amigo chamado José Carlos. O texto chama-se 'Linha Tênue' e me ajudou a elaborar um pouco mais este texto.
Uma das coisas que ele cita no texto é que fiquemos atentos à linha que separa tolerância de conivência, entre outras várias características comportamentais que compõem nosso caráter.
E é daí que quero partir e questionar: mesmo quando percebemos essa - e outras - sutil diferença, até onde devemos ir? Até quando avançar seja na tolerância seja na conivência? Qual é a base de valores que devemos nos atentar para seguir ou recuar?
Me parece óbvio que as pessoas são diferentes. Somos construidos com os mesmos 'materias', mas a maneira como eles se misturam em cada um de nós é o que dá a chamada identidade.
Mesmo com essa obviedade, volto a perguntar: qual é o limite?
Sempre ouvir dizer que o limite é o outro, ou seja, eu posso ir até onde o outro começa. Não é verdade.
Tenho aprendido coisas interessantes e uma delas é que vivemos de invadir a energia, a identidade e o espaço do nosso semelhante. Vivemos um tempo em que a quantidade é importante, pois afinal tem terremoto, tsunamis, chuvas de verão e quanto mais eu tiver, mais garantindo estou. Ao menos, é assim que vejo inúmeras pessoas se comportando: querendo ter mais.
Mais prestígio, mais poder, mais atenção, mais dinheiro, mais razão, mais um bonde de números que, a mim, dizem muito pouco.
Vejo poucas pessoas se ocupando em querer ser mais. Possivelmente porque ser mais exige ter menos. Nossa importância e contribuição, seja lá onde estivermos, são nas miudezas que se dão e acontecem. É no olhar, é na gratidão verdadeira, é na realidade interna de querer fazer melhor que o mundo nos olha como bons ou ruins, como decentes ou indecentes, como bem quistas ou mal quistas.
Vivemos no mundo dos rótulos e para qualquer lugar que olhemos ou andemos eles parecem uma erva daninha. Sendo essa triste realidade nossa de cada dia, não deveríamos nos ocupar de sermos melhores, nem que seja por via das dúvidas?
Me impressiono negativamente em ver pessoas perdendo suas almas no mundo físico e material pois do fundo do coração delas, elas acreditam que esse é o caminho. E acreditam também que o céu é o limite para suas malandragens e traquinagens para conseguirem o mais do ter.
Me entristeço como profissional de desenvolvimento humano, como psicóloga, como família, como gente.
A vontade que me dá é fazer vários minutos de silêncio em respeito ao meu próprio luto diante disso tudo.
quarta-feira, março 09, 2011
A Mulher que Encanta Nossos Dias
Recebe comida. A mesma, todos os dias. Antes de comer, separa 3 grãos daquilo e leva para o meio do espaço que lhe é atribuído (deve ser pro santo).
Recebe água e, depois de separar os 3 grãos, toma para sentir se está na temperatura que lhe agrada. Se não estiver, olha prá cima para sinalizar que está quente demais.
Come a comida intercalando entre esta e a água.
Depois do ritual da alimentação, que parece sagrado a ela, ela rola de barriga prá cima, de um lado pro outro, numa alegria só. Limpa o focinho (sistemática?)
Deita em seu divã (porque ela é fina demais) de cara virada prá porta de saída das pessoas que lhe são queridas. Atenta aos sons - de fora e de dentro - coloca-se em posição de alerta para defesa de sua casa e de sua família.
Quando chateada com a família, deita-se de bum bum virado para a dita porta de saída, como se dissesse: "Não fale comigo hoje. Você me magoou."
Quando feliz, é sorrateira e silenciosa para estar onde nunca a deixam estar: dentro de casa. Faz em sinal de graça e arranca gargalhadas da família e dos amigos.
Quando preocupada, assume o contorno de um vaso se não fosse pela cabeça que fica ligeiramente de lado para ver tudo quanto possível da onde é lhe colocado seu limite de passagem.
Quando está somente ela mesma, faz malabarismos para ganhar uma passada de mão na cabeça ou na barriga, de preferência. E ái de quem lhe negar isso: não consegue, simplesmente.
Companheira, amorosa, atenta, protetora, mansa, temperamental, sistemática, séria quando se trata de fazer o papel dela.
É uma bela descrição de uma mulher? Certamente é. Ela se chama Jady e é nossa cachorra.
Ela é mais gente do que muita gente que conhecemos. Ah, é sim...
Recebe água e, depois de separar os 3 grãos, toma para sentir se está na temperatura que lhe agrada. Se não estiver, olha prá cima para sinalizar que está quente demais.
Come a comida intercalando entre esta e a água.
Depois do ritual da alimentação, que parece sagrado a ela, ela rola de barriga prá cima, de um lado pro outro, numa alegria só. Limpa o focinho (sistemática?)
Deita em seu divã (porque ela é fina demais) de cara virada prá porta de saída das pessoas que lhe são queridas. Atenta aos sons - de fora e de dentro - coloca-se em posição de alerta para defesa de sua casa e de sua família.
Quando chateada com a família, deita-se de bum bum virado para a dita porta de saída, como se dissesse: "Não fale comigo hoje. Você me magoou."
Quando feliz, é sorrateira e silenciosa para estar onde nunca a deixam estar: dentro de casa. Faz em sinal de graça e arranca gargalhadas da família e dos amigos.
Quando preocupada, assume o contorno de um vaso se não fosse pela cabeça que fica ligeiramente de lado para ver tudo quanto possível da onde é lhe colocado seu limite de passagem.
Quando está somente ela mesma, faz malabarismos para ganhar uma passada de mão na cabeça ou na barriga, de preferência. E ái de quem lhe negar isso: não consegue, simplesmente.
Companheira, amorosa, atenta, protetora, mansa, temperamental, sistemática, séria quando se trata de fazer o papel dela.
É uma bela descrição de uma mulher? Certamente é. Ela se chama Jady e é nossa cachorra.
Ela é mais gente do que muita gente que conhecemos. Ah, é sim...
quarta-feira, março 02, 2011
De cara para minhas ignorâncias...
Me deparo em momentos diferentes da minha rotina atualmente com algumas ignorâncias minhas.
Coisas que não sei o que fazer, como fazer, com quem fazer. A sensação é bem estranha, pois me acostumei a ter sempre uma 'cartola de criatividade interna' para resolver problemas, e ao mesmo tempo alegre.
Algo me fez mudar de posição e perceber que mesmo as coisas que sei me escapam. O que antes parecia ser um ponto de excelência em mim passa por sérios questionamentos e revisões sobre a melhor maneira de ser e acontecer...
Isso também me fez pensar que 'ignorância' não é só aquilo que a gente não sabe e conhece. É também aquilo que sabemos e conhecemos muito bem e concluimos que é A melhor forma de saber e conhecer e, portanto, fazer. E não se engane: isso é um processo inconsciente!
Conhecimento traz arrogância se não emprestarmos a devida atenção em novas possibilidades dele se transformar em ação.
Sermos tranquilos para mudar a nossa arte de fazer e entender as coisas, o mundo, as pessoas é sinal de sabedoria, que começa com conhecimento.
Querer mostrar que somos tranquilos para essa mudança e, no fundo, sermos inflexíveis, fechando percepções a nossa limitada maneira é sinal de... ignorância.
Por vezes podemos ser colocados no lugar de mestres ou mentores e isso me assusta demasiadamente por dois motivos: por ME colocarem nessa posição e eu achar que estou absurdamente longe de ser isso e por EU colocar pessoas nesse lugar. Li ontem a postagem de uma querida amiga dizendo que "Mestre não é aquele que sempre ensina, mas quem de repente aprende."
E 'de repente aprende' não só o que não se sabe, mas principalmente aquilo que já se sabe muito.
Dar de cara com esse tipo de ignorância angustia e entristece até um certo ponto, pois quantas atitudes foram tomadas com base nas "verdades" que já acabaram? Mas olharmos para elas, nos olhos, e se propor a 'conversar' é um exercício digno, lembrando que a base forte desse 'encontro' entre nós e nós mesmos são nossos valores, mas não todos: somente aqueles essenciais.
Ops... será que sabemos diferenciar os essenciais valores dos limitantes? Fica aqui mais uma perguntinha para medir o quão ignorantes ainda somos...
Coisas que não sei o que fazer, como fazer, com quem fazer. A sensação é bem estranha, pois me acostumei a ter sempre uma 'cartola de criatividade interna' para resolver problemas, e ao mesmo tempo alegre.
Algo me fez mudar de posição e perceber que mesmo as coisas que sei me escapam. O que antes parecia ser um ponto de excelência em mim passa por sérios questionamentos e revisões sobre a melhor maneira de ser e acontecer...
Isso também me fez pensar que 'ignorância' não é só aquilo que a gente não sabe e conhece. É também aquilo que sabemos e conhecemos muito bem e concluimos que é A melhor forma de saber e conhecer e, portanto, fazer. E não se engane: isso é um processo inconsciente!
Conhecimento traz arrogância se não emprestarmos a devida atenção em novas possibilidades dele se transformar em ação.
Sermos tranquilos para mudar a nossa arte de fazer e entender as coisas, o mundo, as pessoas é sinal de sabedoria, que começa com conhecimento.
Querer mostrar que somos tranquilos para essa mudança e, no fundo, sermos inflexíveis, fechando percepções a nossa limitada maneira é sinal de... ignorância.
Por vezes podemos ser colocados no lugar de mestres ou mentores e isso me assusta demasiadamente por dois motivos: por ME colocarem nessa posição e eu achar que estou absurdamente longe de ser isso e por EU colocar pessoas nesse lugar. Li ontem a postagem de uma querida amiga dizendo que "Mestre não é aquele que sempre ensina, mas quem de repente aprende."
E 'de repente aprende' não só o que não se sabe, mas principalmente aquilo que já se sabe muito.
Dar de cara com esse tipo de ignorância angustia e entristece até um certo ponto, pois quantas atitudes foram tomadas com base nas "verdades" que já acabaram? Mas olharmos para elas, nos olhos, e se propor a 'conversar' é um exercício digno, lembrando que a base forte desse 'encontro' entre nós e nós mesmos são nossos valores, mas não todos: somente aqueles essenciais.
Ops... será que sabemos diferenciar os essenciais valores dos limitantes? Fica aqui mais uma perguntinha para medir o quão ignorantes ainda somos...
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
Desenvolvimento: mas do que?
Tenho participado de várias discussões e em diferentes lugares sobre desenvolvimento de gente.
O tom mais latente, a maior busca de gestores e pessoas dentro das organizações é pelo RESULTADO.
"Faça rápido, certo, mais (mais barato e mais do que te pedem), faça com menos, deseje intensamente e fique atento a tudo ao seu redor; as oportunidades estão para aqueles que querem ver."
Concordo com essa visão. Afinal o mundo é assim: rápido, cheio de cobranças pelo melhor, pelo mais com menos. Resultado.
Apesar de uma parte bem objetiva e pragmática da minha personalidade concordar e até gostar desse 'tom', há uma que incomoda-se profundamente com isso.
O incômodo gira em torno de algumas questões:
1) O que é, afinal, desenvolvimento? É fazer tudo da maneira como o mundo funciona hoje ou é gerar capacidade para que cada um pense sobre o que vê e vive?
2) É preferível oferecer recursos em prol da agilidade ou dar tempo para que as coisas amadureçam? O que é melhor 'garantir'?
3) Em que parte do dia-a-dia as lideranças encaixam a calma, a paciência e a compreensão de que crescer depende de ambiente, condições, alimento e...tempo?
4) Onde colocamos nas metas e na pauta de avaliações de desempenho não só o que as pessoas fazem, mas como, por quais caminhos, baseado em quais valores elas fazem?
5) Em que momento nos ocupamos de saber, conhecer o que nossos colaboradores, nossos liderados pensam sobre a vida, o trabalho, a carreira? E, depois de se ocupar disso, onde é que priorizamos as necessidades de cada um para que, de fato, estendamos a mão a eles?
Às vezes me sinto 'em casa' em ambiente competitivo e de alta velocidade, como a prestação de serviços, por exemplo. Outras vezes, me sinto uma alienígena em tentativas frustradas de fazer as pessoas olharem mais devagar para gente.
Às vezes acredito fortemente que estou na função, posição e atividades certas, que é essa a missão. Em outras, acho que estou na contramão dos meus valores e crenças sobre o que é ser gente e o que é, afinal das contas, que vale a pena buscar e realizar.
O tom mais latente, a maior busca de gestores e pessoas dentro das organizações é pelo RESULTADO.
"Faça rápido, certo, mais (mais barato e mais do que te pedem), faça com menos, deseje intensamente e fique atento a tudo ao seu redor; as oportunidades estão para aqueles que querem ver."
Concordo com essa visão. Afinal o mundo é assim: rápido, cheio de cobranças pelo melhor, pelo mais com menos. Resultado.
Apesar de uma parte bem objetiva e pragmática da minha personalidade concordar e até gostar desse 'tom', há uma que incomoda-se profundamente com isso.
O incômodo gira em torno de algumas questões:
1) O que é, afinal, desenvolvimento? É fazer tudo da maneira como o mundo funciona hoje ou é gerar capacidade para que cada um pense sobre o que vê e vive?
2) É preferível oferecer recursos em prol da agilidade ou dar tempo para que as coisas amadureçam? O que é melhor 'garantir'?
3) Em que parte do dia-a-dia as lideranças encaixam a calma, a paciência e a compreensão de que crescer depende de ambiente, condições, alimento e...tempo?
4) Onde colocamos nas metas e na pauta de avaliações de desempenho não só o que as pessoas fazem, mas como, por quais caminhos, baseado em quais valores elas fazem?
5) Em que momento nos ocupamos de saber, conhecer o que nossos colaboradores, nossos liderados pensam sobre a vida, o trabalho, a carreira? E, depois de se ocupar disso, onde é que priorizamos as necessidades de cada um para que, de fato, estendamos a mão a eles?
Às vezes me sinto 'em casa' em ambiente competitivo e de alta velocidade, como a prestação de serviços, por exemplo. Outras vezes, me sinto uma alienígena em tentativas frustradas de fazer as pessoas olharem mais devagar para gente.
Às vezes acredito fortemente que estou na função, posição e atividades certas, que é essa a missão. Em outras, acho que estou na contramão dos meus valores e crenças sobre o que é ser gente e o que é, afinal das contas, que vale a pena buscar e realizar.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Feminilidade: a ROCHA e a ROSA das mulheres de hoje
Marido: "Às vezes, ela podia deixar eu defendê-la dos 'perigos'."
Melhor amiga: "Tá doido? Você vai querer defender a 'Rocha'?"
Com essas duas falas de duas amadas pessoas da minha vida começou - ou re-começou - uma antiga discussão interna e que, certamente, permeia muitos dias das mulheres da modernindade.
Como bem lembrou meu marido, minha mãe já dizia: "Criei-a para brigar com homem."
Aí a pergunta: onde e como é que aparece, floresce e permanece a feminilidade, a 'rosa' das mulheres criadas para serem assim, o que creio seja a grande maioria hoje em dia?
A 'rocha' é no jeito de andar (como também comentou meu marido e minha amiga) de peito prá cima, cabeça erguida, pisando firme, passos que podem ser ouvidos ainda nos corredores. É no tom de voz, e no 'bater na mesa', é enfrentar de frente os problemas, é ser 'braba'- no jeito, na cara, no bico. É 'brigar' com homem de 'igual para igual', literal e principalmente quando se trata de ambiente de trabalho, visto que a posição que ocupo hoje exige. É o saber.
A 'rosa' aparece na maneira como se sente a vida, as relações e, sim, o próprio trabalho e suas formas e relações. É a intuição, a sensibilidade (às vezes exacerbada), as dores subjetivas que vêem quando ao dá errado. É cuidar da cachorra, da comida de casa, do marido, é no abraçar a mãe. É na hora de ouvir os amigos, de comprar um presente que tem a cara deles. É o sentir.
Ah! Claro... e aparece na culpa que persegue muitas vezes - típica da estrutura neurótica e histérica das mulheres e que, graças a alguns amigos e estudos, consigo dominá-la hoje mais do que antigamente. Sobre esse tema em específico, recomendo a leitura de um texto da Marcia Tiburi chamado "Culpa Feminina" e já aviso que é bem erudito...
Tem também o Princípio do Gênero que dá mais luz a essa problemática.
Com isso, arrisco-me a concluir - por enquanto - que equilibrar a rocha e a rosa em nós, mulheres, é mais do que uma arte. É Divino.
Deixo aqui um convite a quem quiser comentar e deixar sua contribuição ao tema.
Melhor amiga: "Tá doido? Você vai querer defender a 'Rocha'?"
Com essas duas falas de duas amadas pessoas da minha vida começou - ou re-começou - uma antiga discussão interna e que, certamente, permeia muitos dias das mulheres da modernindade.
Como bem lembrou meu marido, minha mãe já dizia: "Criei-a para brigar com homem."
Aí a pergunta: onde e como é que aparece, floresce e permanece a feminilidade, a 'rosa' das mulheres criadas para serem assim, o que creio seja a grande maioria hoje em dia?
A 'rocha' é no jeito de andar (como também comentou meu marido e minha amiga) de peito prá cima, cabeça erguida, pisando firme, passos que podem ser ouvidos ainda nos corredores. É no tom de voz, e no 'bater na mesa', é enfrentar de frente os problemas, é ser 'braba'- no jeito, na cara, no bico. É 'brigar' com homem de 'igual para igual', literal e principalmente quando se trata de ambiente de trabalho, visto que a posição que ocupo hoje exige. É o saber.
A 'rosa' aparece na maneira como se sente a vida, as relações e, sim, o próprio trabalho e suas formas e relações. É a intuição, a sensibilidade (às vezes exacerbada), as dores subjetivas que vêem quando ao dá errado. É cuidar da cachorra, da comida de casa, do marido, é no abraçar a mãe. É na hora de ouvir os amigos, de comprar um presente que tem a cara deles. É o sentir.
Ah! Claro... e aparece na culpa que persegue muitas vezes - típica da estrutura neurótica e histérica das mulheres e que, graças a alguns amigos e estudos, consigo dominá-la hoje mais do que antigamente. Sobre esse tema em específico, recomendo a leitura de um texto da Marcia Tiburi chamado "Culpa Feminina" e já aviso que é bem erudito...
Tem também o Princípio do Gênero que dá mais luz a essa problemática.
Com isso, arrisco-me a concluir - por enquanto - que equilibrar a rocha e a rosa em nós, mulheres, é mais do que uma arte. É Divino.
Deixo aqui um convite a quem quiser comentar e deixar sua contribuição ao tema.
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
A incapacidade de decidir
Já falei sobre esse tema por aqui, em alguma postagem que, claro, não me lembro bem. Mas não faz mal: tô precisando falar de novo.
Percebo que os momentos em que mais perdemos energia (em todos os sentidos da palavra) não é quando decidimos mal por uma coisa ou outra. É quando não decidimos para que lado vamos seguir.
Passei por momentos intensos nos últimos tempos com relação a isso e foi importante para que eu sentisse mais 'na pele' como é que é.
Achar que todos os lados da moeda tem razão na mesma proporção pode nos deixar em maus lençóis. Se são dois lados da moeda, um é diferente do outro, inclusive, em seu valor, certo?
Pois é. Quando todos os argumentos nos convencem algo está errado. E quando acontece, podemos ficar deprimidos e comprometer a vida e caminhada das pessoas que estão a nossa volta, seja família, amigos, companheiros de trabalho.
É extremamente difícil para mim como psicóloga e psicanalista ver pessoas boas, de coração grande, de inteligência, perder 'a mão' da vida por serem incapazes de decidir. Quando decidimos por algo, temos que aguentar as consequências. É mais ou menos assim: "Se eu ficar em cima do muro, ninguém me cobrará nenhuma atitude e até (olha que bacana) serei sempre cuidado, pois sempre exigirei atenção."
Apesar disso me irritar deveras, minha ética profissional e meu sistema de crenças me faz respirar fundo e quebrar a cabeça para pensar em como ajudar.
Sei também que tenho um limite para isso, mas fazer nada é desesperador, pois sei o quanto foi importante na minha história pessoas que fizeram questão de me ajudar.
Como um amigo escreveu outro dia no Facebook: "Cuidado, pois o muro tem um dono perigoso..." Isso me fez lembrar de uma dessas pessoas que aqui me refiro.
Resta-me, com toda minha fé, pedir a Deus iluminação para poder ajudar essa uma, que a mim é muito querida.
Uma das perguntas possíveis que pensei é: "O que te deixaria feliz agora?" É um começo...
Percebo que os momentos em que mais perdemos energia (em todos os sentidos da palavra) não é quando decidimos mal por uma coisa ou outra. É quando não decidimos para que lado vamos seguir.
Passei por momentos intensos nos últimos tempos com relação a isso e foi importante para que eu sentisse mais 'na pele' como é que é.
Achar que todos os lados da moeda tem razão na mesma proporção pode nos deixar em maus lençóis. Se são dois lados da moeda, um é diferente do outro, inclusive, em seu valor, certo?
Pois é. Quando todos os argumentos nos convencem algo está errado. E quando acontece, podemos ficar deprimidos e comprometer a vida e caminhada das pessoas que estão a nossa volta, seja família, amigos, companheiros de trabalho.
É extremamente difícil para mim como psicóloga e psicanalista ver pessoas boas, de coração grande, de inteligência, perder 'a mão' da vida por serem incapazes de decidir. Quando decidimos por algo, temos que aguentar as consequências. É mais ou menos assim: "Se eu ficar em cima do muro, ninguém me cobrará nenhuma atitude e até (olha que bacana) serei sempre cuidado, pois sempre exigirei atenção."
Apesar disso me irritar deveras, minha ética profissional e meu sistema de crenças me faz respirar fundo e quebrar a cabeça para pensar em como ajudar.
Sei também que tenho um limite para isso, mas fazer nada é desesperador, pois sei o quanto foi importante na minha história pessoas que fizeram questão de me ajudar.
Como um amigo escreveu outro dia no Facebook: "Cuidado, pois o muro tem um dono perigoso..." Isso me fez lembrar de uma dessas pessoas que aqui me refiro.
Resta-me, com toda minha fé, pedir a Deus iluminação para poder ajudar essa uma, que a mim é muito querida.
Uma das perguntas possíveis que pensei é: "O que te deixaria feliz agora?" É um começo...
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Metáfora: "Eu. Você. E o que é nosso"
Ele invadiu o espaço dela. Atropelou, pisou na grama, arrancou as flores, plantou árvores, reposicionou os objetos, assim como se alguém invadisse sua Fazendinha do Facebook e desse a ela uma outra cara.
Ao fazer isso, ele ofereceu novas possibilidades e uma possível forma colorida dela ver a própria casa e o próprio espaço.
Durante o processo da mudança, tudo parecia bacana, uma aventura e ela permitiu. Aliás, permitiu demais.
Ela se encantou. Afinal, ele sempre pareceu muito habilidoso, seguro de si e sua postura sempre constante foi conferindo um ar de "lógica" a tudo.
Quanto mais ele mudava, mais ela deixava. Se rendeu às habilidades visíveis e reconhecidas dele.
O tempo passou. Ela já tinha assumido aquele novo cenário como dela e o limite entre o que era dele e o jeito dela ser, essencialmente, já não era tão claro. Era uma simbiose multicolorida, bonita e leve.
Até que um dia, o local recebeu uma visita. Era um amigo das antigas dela.
Esse amigo, conhecendo o espaço, os hábitos e ela mesma, perguntou quando chegaram na cozinha e algo lhe foi oferecido: "Desde quando você gosta de água com limão?". Ela respondeu: "Sempre gostei, ué." O amigo devolveu, impiedoso e amoroso: "Não. Você jamais gostou de água com limão, minha amiga."
Ela parecia acordar de um grande transe hipnótico. O corpo dela se lembrou que, de fato, ela detestava água com limão. O mundo desmoronou. Ela tinha certeza que a dita bebida era sua preferida!
Mas... como podia ser uma coisa dessas? Por onde ela andou, o que pensou, o que falou, sentiu, imaginou, acreditou nesse tempo que bebia, com prazer, a água com limão?? Ela parecia petrificada com aquela constatação causada pelo amigo.
O amigo perguntou: "Quem é aquele ali?" Ela disse: "Ele? É o homem que me mostrou coisas lindas e novas. Foi ele que transformou minha vida." Ela disse isso com um sorriso e olhar de satisfação e alegria.
O amigo interrogou: "E você permitiu que ele arrancasse aquelas flores das quais eu mesmo trouxe as sementes de tão longe que me pediu, plantasse as árvores que hoje escondem o sol e colocasse a estante dos seus livros para guardar objetos de trabalho dele?"
Ela desmoronou. Pensou em seguida com o copo de água com limão nas mãos: "Macacos me mordam, o que esse safado fez comigo??" E como o sol, que há muito não batia naquela casa, uma luz no pensamento surgiu e ela consertou: "o que EU permiti que ele invadisse..."
Ela largou o copo de água com limão sobre a mesa, abraçou e agradeceu o amigo. Dirigiu-se ao local de labor dele e disse: "O lugar que você me deu e tem se dedicado tanto para manter é lindo de verdade. E ele é seu."
Ele não entendeu muito bem e comentou com olhar de espanto: "Não. Ele é seu, lembra-se?"
E ela disse: "Não, querido. Esse lugar tem tudo de você e tudo que eu permiti que você mudasse de mim. Veja bem, eu nem gosto de água com limão...". Ele pareceu não acreditar naquela cena.
Ela o abraçou fortemente, declarou seu amor profundo e admiração por ele e partiu. Colocou-se a disposição para ajudá-lo a manter aquele belo lugar quando ele precisasse, em sinal de gratidão e por acreditar que, de fato, ele tinha construído o lugar dele, à forma dele, com o estímulo constante dela. E dela mesmo só havia restado a energia doada durante todo aquele tempo, o que não lhe pareceu - e não era mesmo - pouca coisa.
Pegou uma mochila, com algumas poucas peças de roupa, uns dois livros e pediu ao amigo que a levasse dali, para onde desejava, sim, voltar para visitas e para ajudar o tal homem na manutenção do belo lugar.
O amigo, sorrindo com leveza, perguntou: "Prá onde quer ir, amiga?" Ela respondeu, depois de olhar para trás já no portão de saída do local, um suspiro e um sorriso: "Para casa."
Ao fazer isso, ele ofereceu novas possibilidades e uma possível forma colorida dela ver a própria casa e o próprio espaço.
Durante o processo da mudança, tudo parecia bacana, uma aventura e ela permitiu. Aliás, permitiu demais.
Ela se encantou. Afinal, ele sempre pareceu muito habilidoso, seguro de si e sua postura sempre constante foi conferindo um ar de "lógica" a tudo.
Quanto mais ele mudava, mais ela deixava. Se rendeu às habilidades visíveis e reconhecidas dele.
O tempo passou. Ela já tinha assumido aquele novo cenário como dela e o limite entre o que era dele e o jeito dela ser, essencialmente, já não era tão claro. Era uma simbiose multicolorida, bonita e leve.
Até que um dia, o local recebeu uma visita. Era um amigo das antigas dela.
Esse amigo, conhecendo o espaço, os hábitos e ela mesma, perguntou quando chegaram na cozinha e algo lhe foi oferecido: "Desde quando você gosta de água com limão?". Ela respondeu: "Sempre gostei, ué." O amigo devolveu, impiedoso e amoroso: "Não. Você jamais gostou de água com limão, minha amiga."
Ela parecia acordar de um grande transe hipnótico. O corpo dela se lembrou que, de fato, ela detestava água com limão. O mundo desmoronou. Ela tinha certeza que a dita bebida era sua preferida!
Mas... como podia ser uma coisa dessas? Por onde ela andou, o que pensou, o que falou, sentiu, imaginou, acreditou nesse tempo que bebia, com prazer, a água com limão?? Ela parecia petrificada com aquela constatação causada pelo amigo.
O amigo perguntou: "Quem é aquele ali?" Ela disse: "Ele? É o homem que me mostrou coisas lindas e novas. Foi ele que transformou minha vida." Ela disse isso com um sorriso e olhar de satisfação e alegria.
O amigo interrogou: "E você permitiu que ele arrancasse aquelas flores das quais eu mesmo trouxe as sementes de tão longe que me pediu, plantasse as árvores que hoje escondem o sol e colocasse a estante dos seus livros para guardar objetos de trabalho dele?"
Ela desmoronou. Pensou em seguida com o copo de água com limão nas mãos: "Macacos me mordam, o que esse safado fez comigo??" E como o sol, que há muito não batia naquela casa, uma luz no pensamento surgiu e ela consertou: "o que EU permiti que ele invadisse..."
Ela largou o copo de água com limão sobre a mesa, abraçou e agradeceu o amigo. Dirigiu-se ao local de labor dele e disse: "O lugar que você me deu e tem se dedicado tanto para manter é lindo de verdade. E ele é seu."
Ele não entendeu muito bem e comentou com olhar de espanto: "Não. Ele é seu, lembra-se?"
E ela disse: "Não, querido. Esse lugar tem tudo de você e tudo que eu permiti que você mudasse de mim. Veja bem, eu nem gosto de água com limão...". Ele pareceu não acreditar naquela cena.
Ela o abraçou fortemente, declarou seu amor profundo e admiração por ele e partiu. Colocou-se a disposição para ajudá-lo a manter aquele belo lugar quando ele precisasse, em sinal de gratidão e por acreditar que, de fato, ele tinha construído o lugar dele, à forma dele, com o estímulo constante dela. E dela mesmo só havia restado a energia doada durante todo aquele tempo, o que não lhe pareceu - e não era mesmo - pouca coisa.
Pegou uma mochila, com algumas poucas peças de roupa, uns dois livros e pediu ao amigo que a levasse dali, para onde desejava, sim, voltar para visitas e para ajudar o tal homem na manutenção do belo lugar.
O amigo, sorrindo com leveza, perguntou: "Prá onde quer ir, amiga?" Ela respondeu, depois de olhar para trás já no portão de saída do local, um suspiro e um sorriso: "Para casa."
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Ritmo e Intensidade
Compreender o ritmo dos acontecimentos e os 'por ques' deles é algo complexo para nossa natureza imediatista e, por que não, egoísta.
As coisas chegam em nossa vida no exato momento em que precisam chegar.
Muitos fatos têm se apresentado para mim dessa maneira: aparentemente desconectados, algumas vezes trazendo um certo sofrimento, mas a resposta vem. Chega. E responde.
Aprendi vagarosa e firmemente nos últimos tempos que esperar dói, mas é absolutamente necessário e o que precede uma 'boa resposta' é, claro, uma boa pergunta.
Faça o teste: experimente mudar as perguntas para que você receba, com gentileza, as respostas certas.
Aprendi, também, que o mundo não está à minha disposição e à disposição da minha Vontade, mas é a Vontade que move o mundo na direção daquilo que queremos.
Aprendi que por maior que seja nosso amor por algumas pessoas, a presença delas em nossas vidas pode, sim, ser diferente uma da outra. Diferentes na maneira e na intensidade e isso não diminui o amor: é, simplesmente, diferente. Aceite-as...
O importante nessas considerações que atrevo-me a fazer, como aprendiz ainda de alguns conceitos, é que é preciso administrar a intensidade do 'pêndulo' das nossas ações. Que os efeitos sempre virão grandes ou pequenos, mas que podemos nos manter em estado de tranquilidade e fé independente deles.
Importante, ainda mais, é manter a postura de humildade perante o Universo e fazer a nossa parte.
Erramos quando cremos que se pode mudar o mundo inteiro e esquecemos que a grande e real possibilidade de mudança - e essa já é um grande desafio - é mudarmos a nós mesmos...
As coisas chegam em nossa vida no exato momento em que precisam chegar.
Muitos fatos têm se apresentado para mim dessa maneira: aparentemente desconectados, algumas vezes trazendo um certo sofrimento, mas a resposta vem. Chega. E responde.
Aprendi vagarosa e firmemente nos últimos tempos que esperar dói, mas é absolutamente necessário e o que precede uma 'boa resposta' é, claro, uma boa pergunta.
Faça o teste: experimente mudar as perguntas para que você receba, com gentileza, as respostas certas.
Aprendi, também, que o mundo não está à minha disposição e à disposição da minha Vontade, mas é a Vontade que move o mundo na direção daquilo que queremos.
Aprendi que por maior que seja nosso amor por algumas pessoas, a presença delas em nossas vidas pode, sim, ser diferente uma da outra. Diferentes na maneira e na intensidade e isso não diminui o amor: é, simplesmente, diferente. Aceite-as...
O importante nessas considerações que atrevo-me a fazer, como aprendiz ainda de alguns conceitos, é que é preciso administrar a intensidade do 'pêndulo' das nossas ações. Que os efeitos sempre virão grandes ou pequenos, mas que podemos nos manter em estado de tranquilidade e fé independente deles.
Importante, ainda mais, é manter a postura de humildade perante o Universo e fazer a nossa parte.
Erramos quando cremos que se pode mudar o mundo inteiro e esquecemos que a grande e real possibilidade de mudança - e essa já é um grande desafio - é mudarmos a nós mesmos...
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Prá direita ou prá esquerda?
Tomar decisões não é fácil. Principalmente quando ela impacta em mais gente.
Por mais experiente, mais equilibrado, mais sensato que seja, sempre teremos um momento, O momento crucial de decidir para que lado ir e esse é dose.
Escolher jamais foi para o ser humano algo agradável, mesmo que as escolhas nos tragam bons frutos e tenhamos certeza. Escolher significa abandonar algo para ficar com outro algo.
E nossa natureza egoísta e, porque não dizer, neurótica sofre com isso.
Estar diante de uma passagem de ciclo que exija uma decisão realmente impactante, o que de recurso temos para escolher? Teremos a repetição de como fazemos isso em escalas menores. A mente "salva" os comportamentos mais repetidos e os toma como padrão. Daí vem todo o enredo daquele filme "Click".
Existe um livro, que confesso não lembrar o nome (fico devendo), que diz que na hora de decidir, de dizer sim ou não, de declarar, a decisão é de segundos. Poucos segundos. Concordo até a página 2 com isso, pois para a declaração sair em segundos o processo foi longo. Certamente foi.
E depois que decidimos, hein? Escolhemos pelo caminho Y e pronto. Decisão tomada. Aí entramos numa nova fase do processo decisório que diz respeito às consequências.
O "abandonado" sempre se sentirá injustiçado seja ele um objeto real (uma pessoa de nossa convivência, por exemplo) ou existente apenas dentro de nossa mente (o que também não deixa de ser real...). Temos que lidar com ele.
Nessas horas, penso eu, nos é exigido silêncio e tranquilidade, pois quem escolhe com base em princípios, valores que sejam reais, que sejam os comandantes reais da vida, se sai melhor.
As "chicotadas" virão, isso é certo. Aguenta o tranco quem estiver muito certo de quem se é.
Por mais experiente, mais equilibrado, mais sensato que seja, sempre teremos um momento, O momento crucial de decidir para que lado ir e esse é dose.
Escolher jamais foi para o ser humano algo agradável, mesmo que as escolhas nos tragam bons frutos e tenhamos certeza. Escolher significa abandonar algo para ficar com outro algo.
E nossa natureza egoísta e, porque não dizer, neurótica sofre com isso.
Estar diante de uma passagem de ciclo que exija uma decisão realmente impactante, o que de recurso temos para escolher? Teremos a repetição de como fazemos isso em escalas menores. A mente "salva" os comportamentos mais repetidos e os toma como padrão. Daí vem todo o enredo daquele filme "Click".
Existe um livro, que confesso não lembrar o nome (fico devendo), que diz que na hora de decidir, de dizer sim ou não, de declarar, a decisão é de segundos. Poucos segundos. Concordo até a página 2 com isso, pois para a declaração sair em segundos o processo foi longo. Certamente foi.
E depois que decidimos, hein? Escolhemos pelo caminho Y e pronto. Decisão tomada. Aí entramos numa nova fase do processo decisório que diz respeito às consequências.
O "abandonado" sempre se sentirá injustiçado seja ele um objeto real (uma pessoa de nossa convivência, por exemplo) ou existente apenas dentro de nossa mente (o que também não deixa de ser real...). Temos que lidar com ele.
Nessas horas, penso eu, nos é exigido silêncio e tranquilidade, pois quem escolhe com base em princípios, valores que sejam reais, que sejam os comandantes reais da vida, se sai melhor.
As "chicotadas" virão, isso é certo. Aguenta o tranco quem estiver muito certo de quem se é.
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Quem quer ser um milionário?
Minha amada amiga e companheira de caminhada me pediu, há um tempo, para que eu escrevesse sobre riqueza e pobreza.
Disse-me ela: “Quero entender por que tanta diferença entre os semelhantes...”
Demorei em escrever, pois os textos que me atrevo a postar neste blog veem, sempre, das minhas experiências pessoais e sobre este tema não havia nada recente suficientemente forte para gerar um texto.
Aí, O Universo incessante me deu algumas experiências com as quais me habilito a escrever sobre o tema.
O título dessa postagem é, sim, sobre o filme de mesmo nome. Assisti, por co-incidência, com essa amiga junto.
Resumindo, o filme conta a história de um rapaz que vai parar num talk show que possui como prêmio 20 milhões de rúbias (análogo a este, tínhamos o Show do Milhão no Brasil). É narrado de maneira sensacional, pois a cada pergunta que o protagonista sabe, surpreendentemente, responder veio da experiência dura e, muitas vezes, cruel vivida na Índia. Esse rapaz tem um irmão que cedo entendeu que o dinheiro dá poder... Enquanto o irmão queria dinheiro para sair da ‘lama’ que era sua vida, o protagonista queria um amor e, para tê-lo, precisava de dinheiro, pois a Índia era a mesma que a vivida pelo seu irmão. Isso, então, os diferenciava?
Esse é um primeiro fato. O segundo é uma cena que comentei brevemente no Facebook sobre um jovem senhor de rua, com visíveis problemas físicos e que, como tantos, me pediu alguma coisa para ajuda-lo. Nunca dou em faróis por acreditar que existem outras maneiras ‘melhores’ de fazê-lo, mas ‘alguma coisa’ me fez pegar a bolsa e sacar 2,00 dela e dar ao jovem senhor. E aí veio a doce surpresa. Ele me respondeu: “Paz e prosperidade para vocês. E ÂNIMO, pois desânimo não faz parte da vida.” Ao lado dele estava a mulher e seu filho, também com visíveis dificuldades... só que as do filho eram mentais...
Além disso, temos todos os casos dolorosos das chuvas de verão, principalmente no Rio de Janeiro... A luta, o não desistir e ver como podemos ser bons e solidários...
Diante disso, eu penso que ricos são aqueles que extraem das oportunidades oferecidas pela vida uma qualidade de experiência superior à maioria.
A esperança, a dignidade, os fortes valores familiares, a vontade e necessidade de sobreviver, a certeza inabalável de que ‘vai dar certo’ no olhar dessas pessoas que citei é o que todos temos que aprender com eles. Essa é a riqueza.
Penso que não é a educação, o ‘berço’, o sobrenome, o tipo de trabalho, o carro, os bens que se faz o caráter, a pobreza ou a riqueza de um homem: é sua vontade.
É pelo que ele faz o que ele faz. É pelo que está, incansavelmente, em busca. É por fazer questão de ser descente, mesmo quando as circunstâncias ‘permitiriam’ não o ser.
Que cada um de nós reflita sobre o que e, principalmente, para que estamos lotados de coisa, sempre sem tempo, sem conseguir realizar todas as tarefas e, possivelmente, sem entender e buscar novas alternativas.
Essas pessoas diferentes, verdadeiramente ricas, priorizam o que parece estar na moda: família, amizade, amor, fé. Essas pessoas VIVEM isso e não apenas ficam no blá blá blá.
Pobre é aquele que não aprende, que desiste dos sonhos, que desanima, que insiste em caminhos e atitudes errados, que se ilude com posição e bens, que só olha para si e seus problemas.
Rico é o que sorri sempre, que agradece por tudo, que é descente e crente. É aquele que entende e vive a grandeza e pequeneza de ser apenas um entre 6,4 bilhões de uma das muitas espécies classificadas num dos universos possíveis...
Disse-me ela: “Quero entender por que tanta diferença entre os semelhantes...”
Demorei em escrever, pois os textos que me atrevo a postar neste blog veem, sempre, das minhas experiências pessoais e sobre este tema não havia nada recente suficientemente forte para gerar um texto.
Aí, O Universo incessante me deu algumas experiências com as quais me habilito a escrever sobre o tema.
O título dessa postagem é, sim, sobre o filme de mesmo nome. Assisti, por co-incidência, com essa amiga junto.
Resumindo, o filme conta a história de um rapaz que vai parar num talk show que possui como prêmio 20 milhões de rúbias (análogo a este, tínhamos o Show do Milhão no Brasil). É narrado de maneira sensacional, pois a cada pergunta que o protagonista sabe, surpreendentemente, responder veio da experiência dura e, muitas vezes, cruel vivida na Índia. Esse rapaz tem um irmão que cedo entendeu que o dinheiro dá poder... Enquanto o irmão queria dinheiro para sair da ‘lama’ que era sua vida, o protagonista queria um amor e, para tê-lo, precisava de dinheiro, pois a Índia era a mesma que a vivida pelo seu irmão. Isso, então, os diferenciava?
Esse é um primeiro fato. O segundo é uma cena que comentei brevemente no Facebook sobre um jovem senhor de rua, com visíveis problemas físicos e que, como tantos, me pediu alguma coisa para ajuda-lo. Nunca dou em faróis por acreditar que existem outras maneiras ‘melhores’ de fazê-lo, mas ‘alguma coisa’ me fez pegar a bolsa e sacar 2,00 dela e dar ao jovem senhor. E aí veio a doce surpresa. Ele me respondeu: “Paz e prosperidade para vocês. E ÂNIMO, pois desânimo não faz parte da vida.” Ao lado dele estava a mulher e seu filho, também com visíveis dificuldades... só que as do filho eram mentais...
Além disso, temos todos os casos dolorosos das chuvas de verão, principalmente no Rio de Janeiro... A luta, o não desistir e ver como podemos ser bons e solidários...
Diante disso, eu penso que ricos são aqueles que extraem das oportunidades oferecidas pela vida uma qualidade de experiência superior à maioria.
A esperança, a dignidade, os fortes valores familiares, a vontade e necessidade de sobreviver, a certeza inabalável de que ‘vai dar certo’ no olhar dessas pessoas que citei é o que todos temos que aprender com eles. Essa é a riqueza.
Penso que não é a educação, o ‘berço’, o sobrenome, o tipo de trabalho, o carro, os bens que se faz o caráter, a pobreza ou a riqueza de um homem: é sua vontade.
É pelo que ele faz o que ele faz. É pelo que está, incansavelmente, em busca. É por fazer questão de ser descente, mesmo quando as circunstâncias ‘permitiriam’ não o ser.
Que cada um de nós reflita sobre o que e, principalmente, para que estamos lotados de coisa, sempre sem tempo, sem conseguir realizar todas as tarefas e, possivelmente, sem entender e buscar novas alternativas.
Essas pessoas diferentes, verdadeiramente ricas, priorizam o que parece estar na moda: família, amizade, amor, fé. Essas pessoas VIVEM isso e não apenas ficam no blá blá blá.
Pobre é aquele que não aprende, que desiste dos sonhos, que desanima, que insiste em caminhos e atitudes errados, que se ilude com posição e bens, que só olha para si e seus problemas.
Rico é o que sorri sempre, que agradece por tudo, que é descente e crente. É aquele que entende e vive a grandeza e pequeneza de ser apenas um entre 6,4 bilhões de uma das muitas espécies classificadas num dos universos possíveis...
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Pensamentos sobre 'Missão'
Falamos, eu e muitos amigos meus no ano passado, sobre o sentido de missão de vida, daquilo que dá direção e foco na nossa trajetória.
E sobre isso já ouvi de tudo: minha missão é ser mãe, minha missão é espalhar amor pelo mundo, minha missão é ajudar as pessoas, minha missão é...
Via de regra, o 'título' da missão aparece voltada 'para fora', para o outro, para o mundo. E normalmente é algo que traz nobreza por ser todas elas repletas de boa intenção e brilho. De fato, todas são assim mesmo, mas não só.
Me lembro do balde de realidade que sempre existiu nos temas de psicanálise que vivi, fossem em sessões de análise, de supervisão de casos clínicos, de grupos de estudos etc.
À psicanálise, essa 'missão' tem a ver com um desejo, O Desejo, que tantas vezes traz mais dores e renúncias do que alegrias. E ele nunca vem desacompanhado de prazer. O prazer mais egoísta, eu digo.
Para que não julguemos apenas a psicanálise com esse olhar menos romântico à questão, cito também um texto do padre Fábio de Melo, em que narra a história de uma freira e diz: "Caridade prá mim é fazer sexo em praça pública." É... bem pouco romântico e nobre, não é?
Em estado de romantismo ou em estado de realidade, a missão da gente que vamos descobrindo ao longo da vida tem um ponto em comum: a seriedade.
Explico. Acabei de ler a seguinte frase do psicanalista Contardo Calligaris: "...no papo cordial dominante, quem leva sua tarefa a sério é considerado muito 'brabo'."
Levar a sério a missão descoberta ou em processo de é não permitir que nada e nem ninguém tire a 'gravidade' disso em nós.
Ser mãe, para mim, pode representar uma boa etapa da vida como mulher, mas é só uma etapa importante. Quem sou eu para dizer àquela que faz disso seu Desejo que não é nada mais que isso, nada além de uma etapa importante? E mais: quem sou eu para tratar isso na vida dessa outra com essa 'pequeneza'? Gente, isso é a vida dela! É sério, não é?
Missão, para mim, é grave, urgente, imprescindível, inadiável, impassível de negociação qualquer que seja. Isso não significa que não tenhamos a responsabilidade de cuidar nós mesmos dela da maneira mais ecológica possível. Aliás, para coisas graves, é sempre preciso um bom plano e muito cuidado, certo?
Isso significa que NÓS temos que dar esse peso e essa medida ao assunto em nossa vida. Isso significa que temos que fazer questão daquilo.
Compartilhar algo tão íntimo com o mundo de forma geral (marido, esposa, amigos, parceiros de trabalho, empresas etc) é uma tarefa árdua... Pois se isso é tão grave e urgente a mim e só a mim, quando e de que forma envolver os outros nisso gerando a tal ecologia que citei acima?
Me ocorre uma resposta possível: "Meu caro, isso prá mim é muito sério. Preste um pouco mais de atenção, por favor. Por mim. Obrigada."
Talvez com isso o outro entenda a 'brabeza' presente nas pessoas que levam suas tarefas pelo tom de missão...
E sobre isso já ouvi de tudo: minha missão é ser mãe, minha missão é espalhar amor pelo mundo, minha missão é ajudar as pessoas, minha missão é...
Via de regra, o 'título' da missão aparece voltada 'para fora', para o outro, para o mundo. E normalmente é algo que traz nobreza por ser todas elas repletas de boa intenção e brilho. De fato, todas são assim mesmo, mas não só.
Me lembro do balde de realidade que sempre existiu nos temas de psicanálise que vivi, fossem em sessões de análise, de supervisão de casos clínicos, de grupos de estudos etc.
À psicanálise, essa 'missão' tem a ver com um desejo, O Desejo, que tantas vezes traz mais dores e renúncias do que alegrias. E ele nunca vem desacompanhado de prazer. O prazer mais egoísta, eu digo.
Para que não julguemos apenas a psicanálise com esse olhar menos romântico à questão, cito também um texto do padre Fábio de Melo, em que narra a história de uma freira e diz: "Caridade prá mim é fazer sexo em praça pública." É... bem pouco romântico e nobre, não é?
Em estado de romantismo ou em estado de realidade, a missão da gente que vamos descobrindo ao longo da vida tem um ponto em comum: a seriedade.
Explico. Acabei de ler a seguinte frase do psicanalista Contardo Calligaris: "...no papo cordial dominante, quem leva sua tarefa a sério é considerado muito 'brabo'."
Levar a sério a missão descoberta ou em processo de é não permitir que nada e nem ninguém tire a 'gravidade' disso em nós.
Ser mãe, para mim, pode representar uma boa etapa da vida como mulher, mas é só uma etapa importante. Quem sou eu para dizer àquela que faz disso seu Desejo que não é nada mais que isso, nada além de uma etapa importante? E mais: quem sou eu para tratar isso na vida dessa outra com essa 'pequeneza'? Gente, isso é a vida dela! É sério, não é?
Missão, para mim, é grave, urgente, imprescindível, inadiável, impassível de negociação qualquer que seja. Isso não significa que não tenhamos a responsabilidade de cuidar nós mesmos dela da maneira mais ecológica possível. Aliás, para coisas graves, é sempre preciso um bom plano e muito cuidado, certo?
Isso significa que NÓS temos que dar esse peso e essa medida ao assunto em nossa vida. Isso significa que temos que fazer questão daquilo.
Compartilhar algo tão íntimo com o mundo de forma geral (marido, esposa, amigos, parceiros de trabalho, empresas etc) é uma tarefa árdua... Pois se isso é tão grave e urgente a mim e só a mim, quando e de que forma envolver os outros nisso gerando a tal ecologia que citei acima?
Me ocorre uma resposta possível: "Meu caro, isso prá mim é muito sério. Preste um pouco mais de atenção, por favor. Por mim. Obrigada."
Talvez com isso o outro entenda a 'brabeza' presente nas pessoas que levam suas tarefas pelo tom de missão...
domingo, janeiro 02, 2011
São apenas cereais...
As viradas de ano sempre me trazem algum sentimento muito forte que, geralmente, costumo validá-lo no fim do ciclo, nos últimos instantes do 'ano velho'.
E quando 'virou' 2011, pensei comigo: "São só cereais, Tatiana. Apenas cereais."
Lembrei-me dessa frase do filme Click, em que o anjo da morte fala ao personagem principal depois dele tanto desejar e 'avançar' no tempo para conquistar aquilo que julgava ser seus grandes desejos.
Depois de um ano intenso, como já escrevi na postagem anterior, 2011 chegou com uma cara serena, embora isso não disfarce a força que sei que terá...
E por que isso me veio à mente? Porque considero que me apaixonei várias vezes ao longo de 2010 e paixão, via de regra, é algo que tira a gente do eixo, mexendo com nossos sentidos e trazendo certo infortúnio...
Apaixonei-me por projetos, amigos, momentos... Os vivi com toda a intensidade, mesmo sabendo que aquilo ia passar...
E passou. Passou aquele furor, aquela certa violência no sentir, aquela coisa que parece que o mundo vai acabar se não der certo, sabe?
A serenidade que me traz 2011 mostra que, mesmo com tanta paixão por algumas coisas, no fim, são cereais... e não um potão de ouro. E isso traz uma simplicidade tao deliciosa à vida...
O quanto conseguimos reconhecer nossos ouros e cereais? Quantos cereais afirmamos como 2+2 são 4 que são ouro e quantos ouros que...tratamos e levamos como cereais?
Uma querida amiga me pediu para escrever sobre o ato de errar. E desde que ela me fez esse pedido, pelo qual fiquei muito grata, estive pensando no que faz a gente errar e, não raramente, no mesmo ponto, no mesmo lugar. Da mesma maneira.
Depois de revisitar meus pensamentos, notei: todas as vezes mais marcantes que posso afirmar que errei, mesmo na mais simples tarefa, eu estava apaixonada... Estava com tanta vontade de fazer aquilo, de estar com alguém, como se depois daquele momento nada mais existisse e aí...errei. Errei no julgamento, errei na execução, errei no falar.
Com o passar do tempo e com os aprendizados que a vida oferece, podemos notar cada vez mais nossa pequeneza e isso...ah, isso sim traz tranquilidade. Porque embora sejamos importantes no mundo, embora o Criador precise dos nossos corações e mentes voltados para o bem, nós somos pequenos. Menores que um grão de areia...
E aí, novamente é inevitável eu relembrar de um sábio homem que num saudoso domingo disse que: "Quando eu deixei de querer, eu consegui."
2011 traz a serenidade daqueles que sabem que plantar e cultivar é muito diferente de encharcar o terreno com água e adubo. Que chega uma hora que precisamos deixar a natureza fazer a parte dela. Não somos o sol nem o tempo para querer que as rosas nasçam antes do momento... Somos apenas um importante intermediário...
Erramos, em minha opinião, invariavelmente quando estamos com o sentimento da paixão a frente, deixando a certeza do bom plantio para traz...
Ou seja: queira muito e priorize aquilo que está no seu controle, pois o resto... o resto o Universo cuida. E isso vale para o trabalho e às nossas relações, principalmente.
No final a única coisa que importará, pelo qual seremos lembrados - desde uma simples atividade até o legado de uma vida - é a maneira e a intenção com as quais executamos nossos plantios e colhemos nossos frutos.
Afinal, são apenas cereais...
E quando 'virou' 2011, pensei comigo: "São só cereais, Tatiana. Apenas cereais."
Lembrei-me dessa frase do filme Click, em que o anjo da morte fala ao personagem principal depois dele tanto desejar e 'avançar' no tempo para conquistar aquilo que julgava ser seus grandes desejos.
Depois de um ano intenso, como já escrevi na postagem anterior, 2011 chegou com uma cara serena, embora isso não disfarce a força que sei que terá...
E por que isso me veio à mente? Porque considero que me apaixonei várias vezes ao longo de 2010 e paixão, via de regra, é algo que tira a gente do eixo, mexendo com nossos sentidos e trazendo certo infortúnio...
Apaixonei-me por projetos, amigos, momentos... Os vivi com toda a intensidade, mesmo sabendo que aquilo ia passar...
E passou. Passou aquele furor, aquela certa violência no sentir, aquela coisa que parece que o mundo vai acabar se não der certo, sabe?
A serenidade que me traz 2011 mostra que, mesmo com tanta paixão por algumas coisas, no fim, são cereais... e não um potão de ouro. E isso traz uma simplicidade tao deliciosa à vida...
O quanto conseguimos reconhecer nossos ouros e cereais? Quantos cereais afirmamos como 2+2 são 4 que são ouro e quantos ouros que...tratamos e levamos como cereais?
Uma querida amiga me pediu para escrever sobre o ato de errar. E desde que ela me fez esse pedido, pelo qual fiquei muito grata, estive pensando no que faz a gente errar e, não raramente, no mesmo ponto, no mesmo lugar. Da mesma maneira.
Depois de revisitar meus pensamentos, notei: todas as vezes mais marcantes que posso afirmar que errei, mesmo na mais simples tarefa, eu estava apaixonada... Estava com tanta vontade de fazer aquilo, de estar com alguém, como se depois daquele momento nada mais existisse e aí...errei. Errei no julgamento, errei na execução, errei no falar.
Com o passar do tempo e com os aprendizados que a vida oferece, podemos notar cada vez mais nossa pequeneza e isso...ah, isso sim traz tranquilidade. Porque embora sejamos importantes no mundo, embora o Criador precise dos nossos corações e mentes voltados para o bem, nós somos pequenos. Menores que um grão de areia...
E aí, novamente é inevitável eu relembrar de um sábio homem que num saudoso domingo disse que: "Quando eu deixei de querer, eu consegui."
2011 traz a serenidade daqueles que sabem que plantar e cultivar é muito diferente de encharcar o terreno com água e adubo. Que chega uma hora que precisamos deixar a natureza fazer a parte dela. Não somos o sol nem o tempo para querer que as rosas nasçam antes do momento... Somos apenas um importante intermediário...
Erramos, em minha opinião, invariavelmente quando estamos com o sentimento da paixão a frente, deixando a certeza do bom plantio para traz...
Ou seja: queira muito e priorize aquilo que está no seu controle, pois o resto... o resto o Universo cuida. E isso vale para o trabalho e às nossas relações, principalmente.
No final a única coisa que importará, pelo qual seremos lembrados - desde uma simples atividade até o legado de uma vida - é a maneira e a intenção com as quais executamos nossos plantios e colhemos nossos frutos.
Afinal, são apenas cereais...
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