Powered By Blogger

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Metáfora: "Eu. Você. E o que é nosso"

Ele invadiu o espaço dela. Atropelou, pisou na grama, arrancou as flores, plantou árvores, reposicionou os objetos, assim como se alguém invadisse sua Fazendinha do Facebook e desse a ela uma outra cara.

Ao fazer isso, ele ofereceu novas possibilidades e uma possível forma colorida dela ver a própria casa e o próprio espaço.

Durante o processo da mudança, tudo parecia bacana, uma aventura e ela permitiu. Aliás, permitiu demais.

Ela se encantou. Afinal, ele sempre pareceu muito habilidoso, seguro de si e sua postura sempre constante foi conferindo um ar de "lógica" a tudo.

Quanto mais ele mudava, mais ela deixava. Se rendeu às habilidades visíveis e reconhecidas dele.

O tempo passou. Ela já tinha assumido aquele novo cenário como dela e o limite entre o que era dele e o jeito dela ser, essencialmente, já não era tão claro. Era uma simbiose multicolorida, bonita e leve.

Até que um dia, o local recebeu uma visita. Era um amigo das antigas dela.

Esse amigo, conhecendo o espaço, os hábitos e ela mesma, perguntou quando chegaram na cozinha e algo lhe foi oferecido: "Desde quando você gosta de água com limão?". Ela respondeu: "Sempre gostei, ué." O amigo devolveu, impiedoso e amoroso: "Não. Você jamais gostou de água com limão, minha amiga."

Ela parecia acordar de um grande transe hipnótico. O corpo dela se lembrou que, de fato, ela detestava água com limão. O mundo desmoronou. Ela tinha certeza que a dita bebida era sua preferida!

Mas... como podia ser uma coisa dessas? Por onde ela andou, o que pensou, o que falou, sentiu, imaginou, acreditou nesse tempo que bebia, com prazer, a água com limão?? Ela parecia petrificada com aquela constatação causada pelo amigo.

O amigo perguntou: "Quem é aquele ali?" Ela disse: "Ele? É o homem que me mostrou coisas lindas e novas. Foi ele que transformou minha vida." Ela disse isso com um sorriso e olhar de satisfação e alegria.

O amigo interrogou: "E você permitiu que ele arrancasse aquelas flores das quais eu mesmo trouxe as sementes de tão longe que me pediu, plantasse as árvores que hoje escondem o sol e colocasse a estante dos seus livros para guardar objetos de trabalho dele?"

Ela desmoronou. Pensou em seguida com o copo de água com limão nas mãos: "Macacos me mordam, o que esse safado fez comigo??" E como o sol, que há muito não batia naquela casa, uma luz no pensamento surgiu e ela consertou: "o que EU permiti que ele invadisse..."

Ela largou o copo de água com limão sobre a mesa, abraçou e agradeceu o amigo. Dirigiu-se ao local de labor dele e disse: "O lugar que você me deu e tem se dedicado tanto para manter é lindo de verdade. E ele é seu."

Ele não entendeu muito bem e comentou com olhar de espanto: "Não. Ele é seu, lembra-se?"

E ela disse: "Não, querido. Esse lugar tem tudo de você e tudo que eu permiti que você mudasse de mim. Veja bem, eu nem gosto de água com limão...". Ele pareceu não acreditar naquela cena.

Ela o abraçou fortemente, declarou seu amor profundo e admiração por ele e partiu. Colocou-se a disposição para ajudá-lo a manter aquele belo lugar quando ele precisasse, em sinal de gratidão e por acreditar que, de fato, ele tinha construído o lugar dele, à forma dele, com o estímulo constante dela. E dela mesmo só havia restado a energia doada durante todo aquele tempo, o que não lhe pareceu - e não era mesmo - pouca coisa.

Pegou uma mochila, com algumas poucas peças de roupa, uns dois livros e pediu ao amigo que a levasse dali, para onde desejava, sim, voltar para visitas e para ajudar o tal homem na manutenção do belo lugar.

O amigo, sorrindo com leveza, perguntou: "Prá onde quer ir, amiga?" Ela respondeu, depois de olhar para trás já no portão de saída do local, um suspiro e um sorriso: "Para casa."

4 comentários:

  1. Belíssima! Simplesmente perfeita. Muitas vezes fazemos coisas parecidas nas nossas vidas... permitindo que, não só "homens", mas empregos, falsas-crenças, falsos-valores e etc nos façam deixar de ser quem somos. Aos poucos trabalho vira carreira, apego vira cuidado, eu viro vc, ele, ela ou, até mesmo, isso/aquilo... Assim como no meu texto da religião, como diz a palavra, devemos claro e sempre nos religar, com aquilo que cremos e aqueles que amamos... e, com isso, somar. O problema é que, as vezes erramos na matemática, e ao invés de adição, resolvemos a subtração dos nossos sonhos, desejos e essências!!! BEIJO GRANDE querida companheira!!!

    ResponderExcluir
  2. Perfeita... Vejo que sempre estas coisas ocorrem, porem temos que ter consciencia que ambos devem planejar e montar o seu lugar... Talvés se a construção fosse mais lenta, porem com mais detalhes de ambos assim como a ideia de cada um este lugar seria dos dois... E não somente dele! Devemos aprender sempre a compartilhar e não nos deixar viver o que é de outro alguem.

    Amiga irmã... Você é uma pessoa maravilhosa e que possui um coração de ouro, e tem o dom maravilhoso de traduzir as pessoas em palavras!!!

    Beijosssss t amo

    Erica

    ResponderExcluir
  3. Amada Estrela,

    Pois é... quanto mais passa o tempo, mais observamos e amadurecemos e acabamos por concluir que:
    Tudo o que podemos fazer com a nossa caminhada é COMPARTILHá-la....

    ti amo

    ResponderExcluir
  4. Rafis, Irmã e Mãe,
    obrigada pelo atrevimento de ler e a paciência de comentar! Realmente, é uma metáfora que fala da vida, das nossas relações e do nosso trabalho. Dentro das empresas em movimentos fortes de mudança então... ela é uma caricatura! rsrs.

    O "Ele" e o "Ela" podem ser vários... e ao mesmo tempo...

    Obrigada pelos comentários e pelas associações!

    Amo vocês!

    ResponderExcluir