Alguns desafios específicos que têm ocupado parte dos meus dias causam-me uma reflexão dolorosa ultimamente.
E o ponto que mais me gera queima de massa encefálica é: qual é o limite das coisas?
Ontem com essa pergunta na cabeça me lembrei de um texto excelente de um amigo chamado José Carlos. O texto chama-se 'Linha Tênue' e me ajudou a elaborar um pouco mais este texto.
Uma das coisas que ele cita no texto é que fiquemos atentos à linha que separa tolerância de conivência, entre outras várias características comportamentais que compõem nosso caráter.
E é daí que quero partir e questionar: mesmo quando percebemos essa - e outras - sutil diferença, até onde devemos ir? Até quando avançar seja na tolerância seja na conivência? Qual é a base de valores que devemos nos atentar para seguir ou recuar?
Me parece óbvio que as pessoas são diferentes. Somos construidos com os mesmos 'materias', mas a maneira como eles se misturam em cada um de nós é o que dá a chamada identidade.
Mesmo com essa obviedade, volto a perguntar: qual é o limite?
Sempre ouvir dizer que o limite é o outro, ou seja, eu posso ir até onde o outro começa. Não é verdade.
Tenho aprendido coisas interessantes e uma delas é que vivemos de invadir a energia, a identidade e o espaço do nosso semelhante. Vivemos um tempo em que a quantidade é importante, pois afinal tem terremoto, tsunamis, chuvas de verão e quanto mais eu tiver, mais garantindo estou. Ao menos, é assim que vejo inúmeras pessoas se comportando: querendo ter mais.
Mais prestígio, mais poder, mais atenção, mais dinheiro, mais razão, mais um bonde de números que, a mim, dizem muito pouco.
Vejo poucas pessoas se ocupando em querer ser mais. Possivelmente porque ser mais exige ter menos. Nossa importância e contribuição, seja lá onde estivermos, são nas miudezas que se dão e acontecem. É no olhar, é na gratidão verdadeira, é na realidade interna de querer fazer melhor que o mundo nos olha como bons ou ruins, como decentes ou indecentes, como bem quistas ou mal quistas.
Vivemos no mundo dos rótulos e para qualquer lugar que olhemos ou andemos eles parecem uma erva daninha. Sendo essa triste realidade nossa de cada dia, não deveríamos nos ocupar de sermos melhores, nem que seja por via das dúvidas?
Me impressiono negativamente em ver pessoas perdendo suas almas no mundo físico e material pois do fundo do coração delas, elas acreditam que esse é o caminho. E acreditam também que o céu é o limite para suas malandragens e traquinagens para conseguirem o mais do ter.
Me entristeço como profissional de desenvolvimento humano, como psicóloga, como família, como gente.
A vontade que me dá é fazer vários minutos de silêncio em respeito ao meu próprio luto diante disso tudo.

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