Powered By Blogger

domingo, janeiro 02, 2011

São apenas cereais...

As viradas de ano sempre me trazem algum sentimento muito forte que, geralmente, costumo validá-lo no fim do ciclo, nos últimos instantes do 'ano velho'.

E quando 'virou' 2011, pensei comigo: "São só cereais, Tatiana. Apenas cereais."

Lembrei-me dessa frase do filme Click, em que o anjo da morte fala ao personagem principal depois dele tanto desejar e 'avançar' no tempo para conquistar aquilo que julgava ser seus grandes desejos.

Depois de um ano intenso, como já escrevi na postagem anterior, 2011 chegou com uma cara serena, embora isso não disfarce a força que sei que terá...

E por que isso me veio à mente? Porque considero que me apaixonei várias vezes ao longo de 2010 e paixão, via de regra, é algo que tira a gente do eixo, mexendo com nossos sentidos e trazendo certo infortúnio...

Apaixonei-me por projetos, amigos, momentos... Os vivi com toda a intensidade, mesmo sabendo que aquilo ia passar...

E passou. Passou aquele furor, aquela certa violência no sentir, aquela coisa que parece que o mundo vai acabar se não der certo, sabe?

A serenidade que me traz 2011 mostra que, mesmo com tanta paixão por algumas coisas, no fim, são cereais... e não um potão de ouro. E isso traz uma simplicidade tao deliciosa à vida...

O quanto conseguimos reconhecer nossos ouros e cereais? Quantos cereais afirmamos como 2+2 são 4 que são ouro e quantos ouros que...tratamos e levamos como cereais?

Uma querida amiga me pediu para escrever sobre o ato de errar. E desde que ela me fez esse pedido, pelo qual fiquei muito grata, estive pensando no que faz a gente errar e, não raramente, no mesmo ponto, no mesmo lugar. Da mesma maneira.

Depois de revisitar meus pensamentos, notei: todas as vezes mais marcantes que posso afirmar que errei, mesmo na mais simples tarefa, eu estava apaixonada... Estava com tanta vontade de fazer aquilo, de estar com alguém, como se depois daquele momento nada mais existisse e aí...errei. Errei no julgamento, errei na execução, errei no falar.

Com o passar do tempo e com os aprendizados que a vida oferece, podemos notar cada vez mais nossa pequeneza e isso...ah, isso sim traz tranquilidade. Porque embora sejamos importantes no mundo, embora o Criador precise dos nossos corações e mentes voltados para o bem, nós somos pequenos. Menores que um grão de areia...

E aí, novamente é inevitável eu relembrar de um sábio homem que num saudoso domingo disse que: "Quando eu deixei de querer, eu consegui."

2011 traz a serenidade daqueles que sabem que plantar e cultivar é muito diferente de encharcar o terreno com água e adubo. Que chega uma hora que precisamos deixar a natureza fazer a parte dela. Não somos o sol nem o tempo para querer que as rosas nasçam antes do momento... Somos apenas um importante intermediário...

Erramos, em minha opinião, invariavelmente quando estamos com o sentimento da paixão a frente, deixando a certeza do bom plantio para traz...

Ou seja: queira muito e priorize aquilo que está no seu controle, pois o resto... o resto o Universo cuida. E isso vale para o trabalho e às nossas relações, principalmente.

No final a única coisa que importará, pelo qual seremos lembrados - desde uma simples atividade até o legado de uma vida - é a maneira e a intenção com as quais executamos nossos plantios e colhemos nossos frutos.

Afinal, são apenas cereais...

2 comentários:

  1. Tatê!!! adorei o texto, acho que um dos mais profundos que escreveu. Mas fica uma consideração, não ache que todas as vezes que errou era porque estava apaixonada, a paixão nos movimenta, enlouquecidamente, eu sei, porém o que nos faz errar é com que olhos ou cegueira vemos a situação. Continue se apaixonando, por suas causas, porém nunca deixe de OLHAR DIFERENTE. beijão

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pela consideração! E, claro, apaixonar-se dá cor à vida. A recomendação é apenas para que não a coloquemos sempre na frente, não é mesmo? Isso sim cega... Bjs

    ResponderExcluir