Um dos trabalhos mais nobres de uma área de RH é a construção do que se chama Modelo de Gestão de Pessoas.
Trata-se de um “código” de como as pessoas “devem” se comportar, o que conhecer, o que saber fazer para viver, crescer e contribuir ali, naquela naquele mundo.
Existe uma parte do código que é essencial, ou seja, aquilo que qualquer um daquele lugar precisa apresentar: é aquilo que garante a “cara”, a marca da organização.
Tem uma outra parte do código que é específica: para trabalhar no RH é exigido um X e no Financeiro um Y.
Juntando o código geral + o código específico temos um modelo, uma ferramenta para garantir o bom e ecológico gerenciamento da carreira das pessoas e dos resultados da empresa.
Fácil, né? Nem tanto quanto parece. Quando uma empresa se submete a um processo de construção desse “código”, esbarra, inevitavelmente, no que há de íntimo das pessoas que ali habitam naquele momento.
Aí complica. O ideal, claro, seria juntar o bom do A + o bom do B e dar um C bem bacana e positivo. Mas...somos humanos. E, como humanos, somos compostos de D’s, E’s, F’s nem sempre positivos.
O trabalho de um RH, nesse momento, é de um alquimista: transformar pedra em ouro. Como garantir um código que seja construído por pessoas em desenvolvimento e – sendo assim, ainda não possuem todos os recursos necessários – ao mesmo que seja um regulador que ofereça crescimento e perenidade à organização? Um grande paradoxo...
Como ter a medida adequada entre regular e estimular o desejo interno, aquele individual? Como transformar vontades, crenças, valores em um código saudável e que sempre dê saída para possibilidades e não que seja um imperador que breca a expansão – das pessoas e das empresas?
Ao escrever esse artigo, me espantei com o número de perguntas que ainda não sei responder. Sei que são através delas que, talvez, eu consiga extrair pepitas de ouro que existem, certamente, dentro dos profissionais que habitam o mundo corporativo.
E, ao escrever também percebi – de novo – o por que me fascina tanto ser profissional de RH: quem mais, dentro desse mundo complexo que são as organizações, poderia se dar ao luxo de ser um artista e trabalhar com aquilo que diz respeito a qualquer humano: a humanidade? Só nós mesmo...
Se eu posso me atrever a dar alguma recomendação, são elas:
Aos profissionais de RH, que as perguntas sirvam de ferramentas como a peneira ao minerador dentro de uma mina: suado, cansado, mas com um desejo incontrolável de achar ouro.
Às empresas, que as perguntas sirvam para reconhecer suas pedras e olhar além dos números: há muito mais riqueza além deles.

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