Causa e Efeito. Segundo os princípios herméticos "Toda a Causa tem seu efeito, todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida..." Esse princípio é da data do século III a.C.
Observo a mim e aos que me são próximos como, impressionantemente, temos dificuldade de compreender o que é causa e o que efeito.
É mais ou menos assim: eu escorrego numa casca de banana na segunda-feira. Efeito - escorregar. Causa - casca de banana. Tropeço no degrau da calçada na terça-feira. Efeito - tropeçar. Causa - degrau.
Ora, serão mesmo a casca de banana e o degrau as causas dessas cenas ou eles fazem parte de um grupo também de efeitos? Será que a desatenção não seria a causa verdadeira de uma coisa e outra?
É comum estarmos envolvidos com tantos e tantos efeitos que geram uma única causa dentro de nossa mente que se passarmos com 'pressa' e analisarmos rápido demais os fatos, podemos ter a falsa sensação de que entendemos a causa quando na verdade só ficamos lá, dando volta nos milhares de efeitos que foram gerados.
Isso é congruente com a estrutura do conceito de sintoma na teoria psicanalítica: tratar mal o parceiro de trabalho, descuidar da aparência e gastar demais podem ser três coisas diferentes para o nível da consciência, mas para o inconsciente são só as diversas notas possíveis de um mesmo grito.
Por isso um processo de análise demora tanto: até 'eliminar' ou, ao menos, dar uma diminuída em tantos sintomas para se começar a falar do que causa tudo aquilo, é um longo e tenebroso caminho...
Atenção aqui, só, não basta. É preciso coragem, muita coragem para abandonar definitivamente o que talvez sejam as grandes motivações da vida. Sim, porque os sintomas ou os efeitos são deliciosos mesmo que nos façam 'mal'. Eles são reguladores/defensores da consciência para uma dor insuportável que vive livremente na insconsciência. Ou seja, se fossem personagens, a fala desses reguladores seria aproximadamente assim: "É melhor o degrau do que a desatenção. Essa segunda aí vai desmoronar mais coisas do que a primeira".
Saber de toda essa 'parafernália' teórica não isenta especialistas a sofrerem exatamente essas cenas na vida. Aliás, geralmente, estes são alvos de 'referência' de como viver 'direito' e essa idéia é um grande equívoco.
Em minha opinião, os especialistas precisam, sim, ter um nível de atenção e coragem maiores do que os leigos para quando escorregadas e cascas de bananas aparecerem no caminho, ao menos, saberem identificar e 'pegar o caminho' mais respeitoso para tratar disso. E só isso.
Mas...'caminho respeitoso'? Para mim, significa demorar mais para concluir e, para chegar nisso, trocar idéias (que podem ser desde sessões analíticas até papo entre amigos).
Como diria minha ex-analista (se é que ex-analista existe): não importa o que, não importa de que forma: apenas fale.

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