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segunda-feira, agosto 30, 2010

Paradoxos

Há momentos na caminhada que exigem muito de nós. Exige paciência com pressa, firmeza com doçura, oração com esperança...

Há momentos na caminhada que oferecem muito a nós: conhecimento com sabedoria, amizade com devoção, encontros com iluminação...

Há momentos na caminhada que cansam caminhar: o fluxo entre "exigência na entrega" e "recebimento na volta" é tão frenético que mal conseguimos processar o que concluimos, afinal, de um dia de vida, por exemplo.

Nessas horas, contamos com nossos amigos (tenham eles o vinculo que tiverem conosco: pai, mãe, marido, irmãos, amigos etc) e com nossa fé. São nessas horas que definimos quem somos, ou melhor, o que desejamos ser.

E SER alguma coisa é uma tarefa diária de abnegação: abrimos mão de tanta coisa para ser quem somos... Abrimos mão da compreensão, da companhia de tanta gente, da tranquilidade que traz a benção da ignorância.

Ah, sim...os ignorantes sobre si mesmo e sobre o mundo PARECEM mais felizes do que aqueles que possuem a certeza de quem é e de qual é o seu caminho.

Me parece que só parecem mesmo: que graça tem passar por aqui sem viver, na carne, o perigo, a dor e a inegualável alegria de ver, materializado, aquilo em que acredita?

Apesar de ser difícil aguentar as panelas que caem sobre a cabeça (parafraseando um grande homem), a ignorância sobre si mesmo é opcional (parafraseando um grande amigo) e até covarde: prefiro os galos na testa do que a sentença de que nada fiz de interessante por aqui. Eu não viveria em paz na "eternidade" se olhasse para minha obra e visse um negócio raso, sem dor e sem cor.

Bom, entre "valer a pena" ser quem se é e "aguentar firme até o fim" tem uma distância grande.

É um momento difícil esse. Às vezes, dá vontade de preparar uma emboscada para si mesmo, dizer que é mentira e negar tudo. Mas...não...não dá!! E a atitude nesse ponto é como andar em 11 metros de brasa e não queimar o pé: insana e divina.

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