Ser íntimo, segundo uma das definições encontradas no dicionário da língua portuguesa, significa: que existe no ânimo, no coração; a parte mais interna.
Podemos nos sentir íntimos de lugares como nossa casa ou nosso ambiente de trabalho. De uma música, de um livro. De um animal de estimação que traz consigo uma pureza única. De uma situação específica. E, claro e principalmente, de pessoas.
Existem, ao meu ver, qualidades de pessoas que habitam nossa vida: as comuns - que normalmente sentimos respeito por ser um igual - as conhecidas - que temos um relacionamento cordial e trocamos informações variadas - as queridas - que comumente sentimos afeto, respeito e admiração pelo que são, pelas idéias e pelo caráter - as amigas - que sentimos uma conexão diferente, próxima, forte. Íntima.
Com cada tipo de gente e 'qualidade' destas desenvolvemos uma relação específica que traz seus benefícios e seus desafios. Não é fácil, hoje em dia, nem mesmo respeitar o outro seja por ser diferente na maneira de pensar, de agir ou por estarmos muito preocupados com nossos problemas julgando-os mais sérios que os das demais pessoas. Imagina só chamar alguém de amigo...
No trabalho a mesma coisa: quando estamos verdadeiramente envolvidos com aquilo, no auge do nosso compromisso de 'fazer', no 'ânimo' e no coração, existe algo que nos aproxima. E o que é?
Novamente ao meu ver, se trata da qualidade dos sentimentos e experiências que são trocadas com o ambiente e suas produções neste.
O que diferencia uma pessoa querida de um amigo? Um trabalho que traz satisfação de um emprego? O bichinho do vizinho e o seu de estimação?
Qual é a troca que nos faz sentir com os corações/emoções conectados? Qual a convivência (física e/ou emocional) necessária para saltarmos de uma coisa à outra? Qual é o nível de tranquilidade em se mostrar como é e das confidências?
Parafraseando um homem sábio, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.
A sabedoria para distinguir uma coisa da outra é possível nos faltar: confundirmos um bom projeto de trabalho com a missão de nossa vida. Uma pessoa muito querida com um grande amigo.
Tudo depende, ainda, da nossa expectativa entre aquilo que se deseja ter com as coisas/pessoas e aquilo que elas podem nos oferecer.
Nesse ponto da história, mais sabedoria é necessária: nós precisamos dar conta dos fantasmas e das dúvidas que fazem parte desse mesmo íntimo e não confundir alhos com bugalhos...
E você? Consegue olhar seu trabalho, seus amigos, seus conhecidos, enfim tudo que compõe sua vida hoje e distinguir o que é da intimidade e o que não é? O que é, consegue tratar como tal, demonstrar e o que não é, sabe cuidar com o respeito que merece?
É... um exercício longo e difícil, caro leitor. Mas muito necessário para conhecermo-nos e saber qual o papel de tudo isso em nossas vidas.
Necessário para que o vazio - inerente ao ser humano - não se torne maior do que deve ser.

Adorei!
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